Brasília, 23 - Deputados representantes do setor agrícola querem propor, amanhã, que os sete ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) sejam convidados para discutir, no Congresso, a taxação do glifosato chinês. O debate desse assunto se arrasta há anos.

De um lado, estão os parlamentares que representam o setor rural. De outro, a multinacional Monsanto. No meio, a Camex. Na mais recente reunião da Camex, em fevereiro, aguardava-se um desfecho para o tema, mas ele foi adiado para o próximo encontro, em 6 de abril.

Os dois lados interessados agora querem usar todas as armas para impor sua opinião. O deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS) encabeça a movimentação política. Ele quer a extinção da taxa antidumping, que atualmente está em 2,1%. A maior alegação deste grupo é a de que os preços estão altos demais para os agricultores e que isso acabará chegando ao consumidor. "É importante mostrar aos ministros que o fim dessa alíquota não só diminuirá os custos de produção das lavouras como também ajudará no controle da inflação", argumentou Heinze.

Já os produtores do herbicida no Brasil defendem a fixação de um valor de referência próximo de US$ 4,60 por kg/l importado. Dos Estados Unidos, o diretor-geral da Divisão de Proteção de Cultivos da Monsanto para a América do Sul, Ricardo Madureira, apresentou os argumentos da empresa. Para ele, a sobretaxa de 2,1% não faz o papel hoje de barrar a concorrência "desleal" da China. "É uma tarifa inócua." Isso porque o país concede, segundo ele, retribuição tributária de 5% aos exportadores de glifosato. "Esta é uma das coisas, fora outros subsídios indiretos", afirmou.

O pedido de aumento da tarifa vem sendo feito pela Monsanto há aproximadamente um ano. Madureira tem argumentado junto ao governo que, em termos de política agrícola, o melhor é o País ter uma produção local própria. Indagado a respeito do discurso dos parlamentares sobre os custos elevados para o produtor, o diretor disse que o mais importante é diminuir a vulnerabilidade do Brasil, como o governo vem tentando na área de fertilizantes. "A discussão política é legítima, mas falar só em preço é ter análise menos abrangente. Como a potência agrícola brasileira pode ficar presa à importação de insumos?", questionou.

A Monsanto é hoje a única produtora da matéria-prima para o herbicida no Brasil, ainda que 18 empresas comercializem o produto final. De acordo com Madureira, a concorrência definhou justamente em função da entrada do produto chinês no mercado doméstico. "Essa competição predatória com a China fez com que outros produtores parassem de produzir", afirmou Madureira. A empresa já ameaça deixar a produção do herbicida no Brasil para importar dos Estados Unidos. "É possível suprir Brasil e Argentina via Estados Unidos, mas não queremos isso", disse.

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