SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltou a testar os 40 mil pontos nesta quinta-feira, mas não encontrou força para ficar acima de tal patamar. Com queda acentuada nas ações da Petrobras e Vale, o Ibovespa fechou o dia valendo 1,03% menos, marcando 39.

536 pontos. O giro financeiro somou R$ 3,72 bilhões.

Segundo o assessor de investimento da Corretora Souza Barros, Luiz Roberto Monteiro, a bolsa depende do cenário externo para superar os 40 mil pontos, mas essa ajuda não vem.

Em Wall Street, por volta das 18 horas, o Dow Jones recuava 1,72%, enquanto o Nasdaq perdia 1,40%. Sem indicadores de peso na agenda do dia, as montadoras ficaram no foco depois que Chrysler anunciou parada de produção e saíram notícias apontando que a empresa negocia a fusão com a General Motors.

Somando incerteza ao combalido setor, a Casa Branca mudou de postura. Depois de anunciar que garantiria uma linha de crédito para as empresas, o governo avalia outras opções e fala em um "processo de concordata ordenado" para as companhias.

De volta ao mercado interno, Monteiro chama atenção que, mesmo com a volta do investidor estrangeiro, que comprou mais de R$ 3 bilhões na última semana, a Bovespa não deslancha. "Não tem motivo para o mercado alavancar. O cenário externo é complicado e aqui não tem nada que estimule a compra."
De acordo com o especialista, o investidor segue trabalhando no intradia e não é possível falar em tendência para a bolsa brasileira. "Quem vai montar carteira em um cenário de indefinição", questiona.

No âmbito corporativo, as ações da Petrobras puxaram as perdas do dia. A ação PN caiu 3,49%, para R$ 23,50, e o ON cedeu 5,19%, para R$ 28,10. Depois de alguns dias descolado dos pares externos e do petróleo, em função dos vencimentos de opções e índice futuro, o papel passou por forte correção. Contribuindo, o preço do WTI foi para baixo dos US$ 40, algo não observado em quatro anos.

Ajudando nas perdas do Ibovespa, Vale PNA perdeu 4,09%, a R$ 25,31. Seguindo os pares externos, Itaú PN teve baixa de 1,96%, para R$ 29,90, e Bradesco PN recuou 1,49%, a R$ 25,70. Contrastando, Nossa Caixa ON subiu 3,92%, fechando a R$ 66,00. A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou na noite de ontem a venda da instituição para o Banco do Brasil.

O destaque na ponta compradora foi da ação ON da BM & FBovespa, que fechou com alta de 5,73%, negociada a R$ 6,45, com o terceiro maior volume do dia. As siderúrgicas resistiram à pressão vendedora e fecharam com alta. CSN ON aumentou 1,77%, a R$ 32,10, Usiminas PNA ganhou 0,35%, para R$ 28,60 e Gerdau PN subiu 1,42%, para R$ 16,36.

Nos extremos, atenção para o setor de telecom. Brasil Telecom Participações PN teve a maior alta do índice avançando 8,10%, para R$ 20,54, com a expectativa de aprovação da venda da empresa para a Oi pela Anatel. Na ponta oposta, TIM Participações ON perdeu 9,38%, para R$ 5,89.

Ainda na ponta compradora, Gol PN teve novo dia de alta, beneficiada por comentários de analistas externos e pelo menor preço do petróleo. O ativo aumentou 7,88%, a R$ 11,22.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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