SÃO PAULO - Seguindo três dias seguidos de valorização, a quinta-feira foi de forte instabilidade no mercado de câmbio. Mas depois de subir a R$ 2,37 na máxima e cair a R$ 2,318 na mínima, o dólar comercial fechou estável a R$ 2,350 na compra e 2,352 na venda.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda também fechou sem alteração, a R$ 2,351. O giro financeiro somou US$ 326 milhões.

Segundo o gerente de câmbio de Treviso Corretora de Câmbio, Reginaldo Galhardo, a forte instabilidade no mercado reflete o ambiente ainda permeado por maior aversão ao risco.

De acordo com o especialista, a queda no preço do dólar no período do manhã esteve relacionada com o fortalecimento do euro no mercado externo, depois que os países da Europa Ocidental acenaram com ajuda aos países do Leste Europeu.

Já no período da tarde, a cautela voltou a falar mais alto, com os agentes observando com reserva a queda acentuada no preço das ações dos bancos dos Estados Unidos.

O problema, segundo Galhardo, é que o investidor/especulador enxerga mercados emergentes como uma coisa só. "E ele não pensa duas vezes em buscar resguardo no dólar no primeiro sinal de instabilidade."
Aqui no Brasil, esse trânsito rápido de operação fica concentrado na BM & F, que apresenta grande liquidez. Um sinal de que o preço não está relacionado aos fundamentos, mas apenas às negociações de contratos futuros, é que o fluxo de moeda tem sido positivo. Outra evidência disso é a ausência do Banco Central do mercado à vista.

"Aversão ao risco é algo irracional. Enquanto não voltar a confiança e o investidor passar a discernir o que é bom e o que é ruim, vamos continuar com essa volatilidade", resume o especialista.

De acordo com Galhardo, a única coisa que se pode afirmar, por ora, é que o dólar tem um ponto de equilíbrio nos R$ 2,30.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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