BRASÍLIA - Mesmo com a recusa do juiz da 6ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo, Fausto de Sanctis, em dar detalhes sobre processo que investiga possíveis crimes financeiros por grupo ligado ao banqueiro Daniel Dantas, o presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) considerou satisfatório o depoimento do juiz.

Aquilo que é do interesse da CPI está sendo dito, disse o parlamentar. Segundo Itagiba, o foco no depoimento do juiz era saber se o grupo de Dantas fez interceptações telefônicas de autoridades brasileiras. Mas De Sanctis nada respondeu sobre isso, alegando sigilo no processo em curso na 6ª. Vara Federal de São Paulo, relativo à Operação Satiagraha.

O magistrado foi o responsável pelas autorizações de escuta e as prisões temporárias de Dantas, do ex-prefeito paulistano Celso Pitta e do investidor Naji Nahas, entre outros, na Operação Satiagraha.

O presidente da CPI afirmou concordar que o sigilo dos processos em andamento na Justiça deve ser resguardado, mas ponderou que isso favorece muitos figurões que cometem crimes de colarinho branco, completou.

Ele disse ainda que depoimentos como o do juiz De Sanctis vão ajudar os parlamentares a propor aperfeiçoamentos na legislação que trata sobre escutas telefônicas no país.

Mas o juiz paulista criticou a idéia dos membros da CPI de, por exemplo, limitar o tempo de escutas telefônicas nas investigações policiais. Segundo ele, a necessidade da escuta pode ser de um, dez dias, levar um ano inteiro ou mais para fechar a investigação. Além disso, os criminosos em presídios falam em códigos, que exigem tempo para a decifração, comentou.

Espero que o Congresso reflita sobre a idéia de mudança, afirmou De Sanctis. Segundo ele, mais que alterar a legislação específica atual, o Ministério Público e o Judiciário deveriam ter mais instrumentos para combater as escutas ilegais.

No começo do depoimento na CPI, ele recusou proposta de Itagiba para falar em sessão secreta, afirmando estar disposto a falar publicamente o que fosse público.

O juiz garantiu ainda que há cautela no Judiciário ao autorizar o uso de grampos por policiais. E defendeu que a a Polícia Federal deve ser independente para atuar mais fortemente contra a criminalidade no país.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.