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Dentro da sala, conversas; na imprensa, guerra verbal

Se numa guerra a verdade é a primeira vítima, tudo indica que nos conflitos comerciais da Rodada Doha, o ditado parece ser válido. Ministros, diplomatas e negociadores usam de conferências de imprensa não apenas para defender seus interesses, mas para influenciar a opinião pública e tranqüilizar o público em seus países.

Agência Estado |

Se a atual etapa das negociações começou com o deslize do chanceler brasileiro, Celso Amorim, citando o ministro de propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels - referindo-se à guerra da desinformação -, as manobras com a imprensa se proliferaram nos últimos dias.

O caso mais claro dessa manipulação midiática foi a tentativa do comissário de Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, de vender a idéia de que estava propondo um novo acordo comercial com a abertura de 60% de cortes de tarifas para bens agrícolas. Sua proposta anterior era de 54%.

Ontem, a secretária de Indústria da França, Anne Marie Idrac, admitiu que "54% e 60% são a mesma coisa". "Não há nova oferta. Como Mandelson não pode oferecer nada mais, ele precisa criar um fato novo, baseado apenas em manipulação de estatísticas", admitiu a secretária do país que preside a União Européia neste semestre.

O jogo com a palavras e recados se transforma em algo tão fundamental na Organização Mundial do Comércio (OMC) que os governos passaram a enviar diplomatas para acompanhar as conferências de imprensa de outros países adversários nas negociações. Ontem, uma entrevista dos indianos teve a presença de um gravador colocado pela Casa Branca.

"Uma coisa é o que se diz numa conferência de imprensa, outra é o que ocorre dentro da sala de negociações", afirmou Kamal Nath, ministro do Comércio da Índia.

A guerra pela atenção da imprensa fez com que Mandelson criasse até um blog para contar seu dia nas negociações. "Trabalhamos para além de meia noite; ninguém pôde comer", disse. O comissário, conhecido por ter criado uma nova imagem para o Partido Trabalhista britânico e eleito Tony Blair para primeiro-ministro nos anos 90, ainda usa seu blog para passar mensagens.

Mandelson conta como o setor privado europeu está frustrado com a falta de flexibilidade do Brasil e de outros países emergentes. "Não temos clareza sobre o que ganharemos", disse. Ele ainda conta as dificuldades de se negociar sozinho e apenas com um assistente por mais de seis horas.

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