SÃO PAULO - A demora do governo federal em anunciar o pacote de medidas para incentivar o setor da construção civil contribuiu para a piora nas vendas das indústrias de materiais em janeiro e fevereiro. O Índice de Vendas Abramat, produzido pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) em parceria com a Fundação Instituto de Administração (FIA/USP), apontou queda de 5,68% nas vendas de materiais de construção em janeiro, em relação a dezembro.

Em comparação com o mesmo mês do ano passado, a queda foi de 15,72%.

No acumulado de 12 meses até janeiro, o índice de vendas acumula crescimento de 11,02% e a expectativa da Abramat é que as vendas em 2009 cresçam 5%, se o governo anunciar ainda no primeiro trimestre o pacote de ajuda ao setor.

Para o presidente da Abramat, Melvyn Fox, houve redução da demanda pelo consumidor final no período, mas a principal causa foi a queda das encomendas pelo varejo. "Como uma das medidas em estudo pelo governo prevê a redução do IPI sobre os materiais, as lojas preferiram reduzir estoques com o preço antigo, para refazê-los após o anúncio da medida", afirmou. A expectativa do setor era de que as medidas fossem anunciadas já em janeiro, mas a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou ontem em evento realizado em São Paulo que o pacote só deverá ser lançado daqui a um mês.

Em janeiro também houve queda no número de empregos do setor, de 2,71% em relação a dezembro e de 4,08% em relação a janeiro de 2008. Entre janeiro e fevereiro, disse Fox, as indústrias de materiais de construção demitiram em torno de 20 mil pessoas. "Houve uma queda um pouco acima do normal para a época e é possível que haja mais demissões se não houver uma reversão no quadro atual de demanda", avaliou.

De acordo com o executivo, as vendas em fevereiro também dão sinais de queda em comparação com o mesmo mês do ano passado. Conforme a pesquisa de sondagem da entidade, em fevereiro, as indústrias operaram com 79% da capacidade instalada ocupada, contra 82% em janeiro e 81% em dezembro.

Neste mês, conforme a pesquisa Termômetro Abramat, também divulgada hoje, as indústrias estão mais pessimistas em relação ao desempenho do setor. Do total, 34% dos empresários se mostraram pessimistas em relação às vendas em fevereiro, contra 28% em janeiro, e 50% esperam um desempenho regular, contra 41% em janeiro. Para março, 56% dos empresários esperam um desempenho regular e 16% um desempenho ruim. Outros 28% esperam melhora em relação a fevereiro com a adoção de medidas de incentivo ao setor pelo governo.

Em reação ao pacote, 64% dos empresários estão otimistas em relação aos seus efeitos. Em janeiro, o índice de otimismo era de 69%. "O índice havia melhorado em dezembro, quando o governo falou que lançaria o pacote. Com essa demora, os empresários estão perdendo o ânimo", afirmou Fox. O índice de intenção de investimentos do setor também se reduziu, para 36% em fevereiro, ante 38% em janeiro e 56% em dezembro.

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