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Demolição de rodoviária começa a mudar bairro da Luz, em São Paulo

As primeiras marretadas vieram para colocar ponto final numa história, do começo ao fim, controversa. Criticada por trazer criminalidade, poluição e trânsito desde sua inauguração, em 25 de janeiro de 1961, a antiga Estação Rodoviária de São Paulo, em frente à Praça Júlio Prestes, na Luz, começou a ser demolida no fim do março.

AE |

As primeiras marretadas vieram para colocar ponto final numa história, do começo ao fim, controversa. Criticada por trazer criminalidade, poluição e trânsito desde sua inauguração, em 25 de janeiro de 1961, a antiga Estação Rodoviária de São Paulo, em frente à Praça Júlio Prestes, na Luz, começou a ser demolida no fim do março. Ontem pela manhã, retroescavadeiras e guindastes começaram a transformar um dos grandes monumentos à arquitetura kitsch da cidade - os losangos coloridos da fachada do prédio - em pedaços de vidro e ferro retorcido. A demolição é o primeiro passo para a construção do Complexo Cultural Luz, que abrigará o Teatro da Dança de São Paulo, obra orçada em R$ 600 milhões, com projeto do escritório suíço Herzog & De Meuron - e cujo custo inicial, segundo a Secretaria de Estado da Cultura, não ultrapassaria os R$ 300 milhões. A demolição deve ser finalizada em outubro, e as obras no local começam em janeiro de 2011. A previsão de inauguração do complexo é 2014. A antiga rodoviária - desativada em 1982 e cujo prédio foi desapropriado em 2007 por R$ 34 milhões, depois de quase duas décadas abrigando um shopping popular de confecções - foi palco de polêmica logo no primeiro mês de funcionamento. Moradores dos Campos Elísios, no centro, falavam de aumento imediato da criminalidade - "até 60%" de aumento nos furtos e roubos - e trânsito "infernal" na região. Mesmo para os 2.500 ônibus que chegavam e saíam do terminal diariamente, o tráfego já era difícil. Para deixar um dos boxes e chegar à rua em horários de pico, os ônibus levavam até uma hora, em trajeto de menos de 200 metros. "Não houve planejamento para instalar ali a rodoviária. Até por isso o prédio durou relativamente pouco. Os ônibus tinham dificuldade para sair e chegar", disse o arquiteto e urbanista Jorge Wilheim. "Historicamente, rodoviárias já contribuem para a degradação da região, principalmente as que não são integradas com transportes rápidos, como o metrô. Depois, com sua desativação, houve uma estrutura ociosa de hotéis e bares que se tornaram alvo fácil para a degradação da área", explicou. Refresco. A antiga rodoviária foi construída na administração Adhemar de Barros, em terreno de 19 mil metros quadrados - mesma medida desapropriada em 2007, para construção do Teatro da Dança. Como elementos marcantes do local, havia as pastilhas coloridas nas paredes internas e o chafariz no hall central, apontado por usuários da antiga estação como "refresco" em meio à poluição dos escapamentos dos ônibus. Os operários que trabalham no local, porém, já não veem nada disso: nos últimos anos, a estrutura interna já estava modificada, por causa do shopping que lá funcionou. Televisões a cores, peça rara nas residências paulistanas da década de 1970, também se destacavam na antiga rodoviária. Um dos primeiros locais públicos a receberem os aparelhos, o prédio atraía frequentemente paulistanos que não tinham nada que ver com viagem - queriam apenas assistir a jogos de futebol na TV. Complexo cultural. O Complexo Cultural Luz - cujo projeto, criado por arquitetos estrangeiros, foi criticado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e alvo de polêmica com a Secretaria da Cultura - contará com três teatros, o maior com capacidade para 1.750 espectadores, e abrigará a sede da São Paulo Companhia de Dança. Também haverá escola de dança, salas de ensaios, biblioteca, auditório, café, loja, praça de convivência e estacionamento para mil veículos. Trata-se da obra de maior vulto do governo do Estado destinada a revitalizar a região da Luz, exemplo de degradação urbana na cidade. A Prefeitura também pretende, até o fim do mês, anunciar o consórcio vencedor que irá criar o projeto da concessão urbanística da Luz, aposta da administração para revitalizar a região. "O que não pode haver é conflito entre os projetos, sob risco de a revitalização não acontecer", afirma Wilheim. "Isso deve estar previsto no projeto de concessão."
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