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Democratas pedem diálogo com emergentes

DENVER (EUA) - Os delegados que participam da convenção nacional do Partido Democrata ratificaram ontem uma nova plataforma política, em que o partido admite a existência de limites para a atuação dos Estados Unidos no palco internacional e ao mesmo tempo reconhece a necessidade de estabelecer novos canais de diálogo com países emergentes como a China, a Índia e o Brasil.

Valor Online |

O documento diz que os EUA precisam aprofundar seus laços com poderes emergentes e menciona China, Índia, Rússia, Brasil, Nigéria e África do Sul, nessa ordem, como países que poderiam ser chamados a assumir um papel mais ativo nas discussões de problemas globais.

É do interesse dos Estados Unidos que todos esses poderes emergentes e outros assumam um papel maior na promoção da paz internacional, e do respeito aos direitos humanos, inclusive através de uma participação mais construtiva em instituições internacionais chave , diz o texto aprovado pela convenção.

Como qualquer documento dessa natureza, a plataforma dos democratas é pouca coisa além de um catálogo de boas intenções decoradas com confetes para agradar as bases partidárias. Mas existem diferenças importantes entre o texto e as plataformas que o partido apresentou em outras campanhas eleitorais.

O reconhecimento da importância crescente dos emergentes é um exemplo. Na plataforma aprovada pelos democratas para a eleição presidencial de 2004, a China foi mencionada apenas duas vezes, a Índia aparecia outras duas e o Brasil sequer era citado. Desta vez China e Brasil são citados quatro vezes cada um.

Ainda é cedo para saber no que as boas intenções irão resultar se o candidato dos democratas à Casa Branca, o senador Barack Obama, vencer a eleição presidencial de novembro. Muitas políticas que ele tem defendido na campanha contrariam interesses importantes dos países que ele promete procurar em seu esforço para restaurar a reputação internacional dos EUA.

Os democratas defendem a inclusão dos países emergentes num novo fórum internacional que seria criado para combater o aquecimento global, mas Obama quer que eles aceitem obrigações que países como a China e o Brasil têm rejeitado sistematicamente. Os democratas também querem impor leis trabalhistas e ambientais mais rigorosas aos parceiros comerciais que desejarem ampliar seu acesso ao mercado consumidor americano.

Obama gera desconforto no México e no Canadá sempre que defende a renegociação do Nafta, o tratado que reduziu as barreiras comerciais entre os três países em 1994. Ele é contra um acordo semelhante assinado com a Colômbia, país que recebeu dos EUA bilhões de dólares em ajuda para combater o tráfico de drogas nos últimos anos.

Obama defende uma reforma ambiciosa nas políticas de imigração dos EUA e promete regularizar a situação dos imigrantes que hoje vivem e trabalham no país mesmo sem documentação legal, mas no Senado votou a favor de um projeto que autoriza a construção de um muro na fronteira com o México para impedir a entrada de imigrantes ilegais.

Como o recente giro internacional de Obama tornou evidente, sua ascensão tem sido acompanhada com interesse no mundo inteiro. Mas o fosso que separa o discurso conciliador de Obama e as políticas que ele defende gera dúvidas sobre sua capacidade de atender às enormes expectativas que tem alimentado.

Numa entrevista concedida a jornalistas estrangeiros que acompanham a convenção em Denver, um assessor de Obama disse ontem que não vê nenhum problema nessa contradição. Os outros países estão ansiosos para trabalhar com os EUA , disse Gregory Craig, assessor de Obama para política externa e um importante arrecadador de fundos para a sua campanha.

Como presidente, Obama não precisará oferecer incentivos para atrair outros países, porque estão todos ansiosos pelo tipo de liderança que ele vai oferecer , afirmou Craig. É por isso que 200 mil pessoas apareceram [para vê-lo] em Berlim.

(Ricardo Balthazar |Valor Econômico)

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