Os congressistas democratas chegaram a um acordo sobre o conteúdo de um plano de resgate do sistema financeiro dos Estados Unidos. O anúncio foi feito ontem à noite pelo presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, Barney Frank, deputado por Massachusetts.

Ele acrescentou que está prevista para a manhã de hoje uma reunião com seus colegas republicanos para elaborarem o texto final do plano, que deve ser submetido à votação do Congresso e posteriormente encaminhado para sanção do presidente George W. Bush.

Ainda hoje Bush deverá se reunir com lideranças dos dois partidos e com os candidatos à sua sucessão, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, para tratar da crise. Segundo Frank, após o pronunciamento de ontem à noite de Bush, não restam dúvidas de que o plano será aprovado pelo Congresso. Ontem, Bush intensificou os esforços para conseguir que o Congresso aprove o pacote de US$ 700 bilhões. Pela primeira vez, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, admitiu reduzir a remuneração dos executivos de instituições beneficiadas pelo plano, uma demanda da oposição democrata.

O governo precisa correr porque deputados e senadores entram em recesso na sexta-feira por causa da eleição presidencial, em 4 de novembro. Paulson disse que a compensação dos executivos deve ser tratada no plano de socorro. Mas alertou, em depoimento ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, que qualquer ação não deve ameaçar o programa. "Devemos encontrar uma forma de lidar (com a compensação de executivos) na legislação, mas sem arruinar sua eficácia."

Os líderes democratas estudam impor duras restrições ao pacote. Uma das exigências é que os US$ 700 bilhões pedidos pela Casa Branca sejam liberados em partes, e não de uma vez. Outra opção discutida entre os democratas seria uma rápida votação sobre um terço dos fundos buscados pela administração. O restante ficaria para mais tarde.

O deputado Barney Frank havia se reunido ontem com o presidente do Comitê de Bancos do Senado, o também democrata Christopher Dodd, para discutir o projeto. Frank quer que o governo considere um alívio fiscal aos bancos comunitários, que têm milhões de dólares em ações preferenciais das agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, ambas atualmente controladas pelo governo.

Em seu segundo dia de depoimentos a congressistas, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, pediu ação imediata em relação às "ameaças graves" que o sistema financeiro enfrenta. Segundo ele, a falta de uma ação pode acelerar o enfraquecimento da economia.

"A estabilização de nosso sistema financeiro é uma condição prévia para a recuperação econômica", disse Bernanke no depoimento ao Comitê Econômico Conjunto do Congresso.

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