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Demitidos de Wall Street viram artistas

Michael Terry levou uma vida dupla por muitos anos. Durante o dia, eu era diretor executivo do Morgan Stanley, disse ele.

Agência Estado |

"E, à noite, me apresentava em shows humorísticos." Em fevereiro de 2008, sua companhia anunciou uma rodada de demissões. Terry levantou a mão. "Imaginei que um pacote de demissão me daria um par de anos para tentar a comédia, algo difícil de conciliar com meu trabalho diurno." Desde então, Terry, de 37 anos, produziu duas peças e seu grupo de comédia de esquetes recebeu uma inserção no próximo Chicago Sketch Comedy Festival.

Com Wall Street sofrendo uma hemorragia de empregos, alguns executivos de bancos estão optando por carreiras mais criativas. Harry B. Weiner, sócio da On-Ramps, consultoria de recrutamento, diz que a recessão econômica mudou a psicologia de transição de carreira. "As pessoas sentem que não há nada a perder ao seguir um novo rumo, quando se tem um currículo que diz finanças e nenhum banco está contratando."

Foi esse o cálculo de Benjamin Cox, 33 anos. Após deixar seu emprego de vice-presidente no Goldman Sachs, em agosto passado, ele começou a incubar seus planos para trabalhar num roteiro de cinema e criar uma empresa de produção.

Greg Collett, 37 anos, largou seu emprego de diretor de fundos de commodities no Deutsche Bank para explorar uma carreira em comédia stand-up. "Tive a forte sensação de que as coisas iriam piorar e que Wall Street não era um bom lugar para se ficar", disse Collett, acrescentando que foi mais fácil sair sabendo que os pacotes de remuneração seriam uma fração do que eram há alguns anos.

Richard Florida, diretor do Martin Prosperity Institute na Universidade de Toronto, vê o êxodo de Wall Street para setores mais criativos como parte de uma necessária recalibração econômica. "A economia não poderia sobreviver de especulação. Agora, estamos percebendo que o verdadeiro capital é a nossa criatividade."

Entre 1998 e 2002, o emprego no núcleo criativo de Nova York cresceu 13,1%, enquanto o emprego em geral na cidade cresceu 6,5%. Mesmo assim, Jonathan Bowles, diretor do Center for an Urban Future, diz que, embora seja evidente que os campos criativos não estão se saindo tão mal como Wall Street, eles dificilmente ficarão imunes à recessão. "Há uma boa chance de que haja mais trabalho para prestadores de serviços e freelancers."
Segundo Shaun Gatter, ex-vice-presidente de um banco de investimentos que deixou o cargo no ano passado para escrever um livro, muitos de seus colegas apoiaram a escolha, dizendo que também acalentavam ambições de ser chefs, fotógrafos, escritores e artistas.

"Todos parecem ter outra coisa que prefeririam fazer das 9h às 17h", disse ele. "Os demitidos estão sendo libertados das algemas douradas de Wall Street e se aventurando em algo que poderá realizar seus sonhos."

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