A demissão de 130 mil trabalhadores da indústria paulista no mês de dezembro bateu todos os recordes da série histórica da pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), iniciada em 1994. Foi também a primeira vez na série histórica, iniciada em junho de 2005, que todos os 21 setores industriais pesquisados pela Fiesp demitiram empregados.

Ainda sem previsões oficiais para o desempenho do emprego, a Fiesp acredita que as demissões vão continuar nos primeiros meses deste ano.

"A perda de empregos em dezembro não era esperada nem por nós nem por nenhum agente econômico. Nunca tivemos um resultado como esse antes. Não tivemos nenhum setor com estabilidade ou crescimento nas vagas", disse o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini. "E o sensor indica que o emprego vai continuar caindo", acrescentou. Na primeira quinzena de janeiro, a pesquisa Sensor da Fiesp, que mede a confiança dos empresários, o indicador "emprego" ficou em 44 pontos - resultados abaixo dos 50 pontos indicam demissões.

O emprego já vinha em queda nos meses de outubro e novembro, quando foram fechados, respectivamente, 10 mil e 34 mil postos de trabalho. Para dezembro, a Fiesp já esperava um resultado ruim, com fechamento de 80 mil vagas. Mas o resultado foi tão ruim que reverteu a tendência positiva para o emprego em 2008, que acumulava alta de 5,66% de janeiro a novembro e a criação de 123 mil vagas, para uma queda de 0,27%, com o fechamento de 7 mil empregos.

"A nossa expectativa para 2008 era a de um crescimento modesto, de 2% no número de postos de trabalho. Tivemos nossas expectativas frustradas. O resultado derrubou nossas previsões. Em três meses perdemos tudo aquilo que foi gerado no ano", lamentou Francini.

Segundo ele, normalmente, as demissões só ocorrem após quatro meses da primeira diminuição da atividade econômica. Mas a velocidade da crise financeira internacional modificou esse comportamento. "O emprego caiu prematuramente. As empresas, na dúvida sobre como a atividade econômica vai se comportar, seguram as demissões porque elas trazem ônus econômico e social. Nessa crise, elas não tiveram a menor dúvida em relação ao futuro - ele será pior que o presente -, e por isso as demissões ocorrem de forma prematura", explicou.

Nem mesmo a indústria sucroalcooleira salvou o indicador da Fiesp neste ano. O setor é um dos que mais contrata e também dos que mais demite no ano. Devido à sazonalidade da colheita e do corte da cana, as usinas contratam milhares de trabalhadores em fevereiro e março e demitem a maioria deles no fim do ano, mas normalmente encerram em dezembro com um saldo positivo de contratações. Não foi o caso. Em 2008, as usinas de açúcar e álcool finalizaram o ano com demissões de 4.341 trabalhadores.

"Há muito tempo não se via uma contribuição negativa do setor sucroalcooleiro no emprego", ressaltou Francini. De acordo com ele, a queda no preço das commodities (matérias-primas) agrícolas e do petróleo afetaram o segmento. Ainda assim, a indústria paulista foi menos afetada pela crise que a indústria mineira, lembrou Francini. "Os três pilares da indústria de Minas são a atividade extrativa, a siderurgia e a área automotiva, que são também as mais afetadas pela crise. A indústria paulista, por ser mais diversificada, sofreu menos", ressaltou.

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