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Demissão de Rachid da Receita a pedido é desmentida por assessores

BRASÍLIA - A substituição de Jorge Rachid por Lina Maria Vieira no comando da Receita Federal do Brasil tinha, na última quinta-feira, duas versões desencontradas. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, assegurou a pelo menos um ministro que Rachid pediu para sair. A versão contada pelo ex-secretário a amigos e assessores próximos é outra.

Valor Online |

 

No início da noite de quarta-feira, Mantega, segundo relato feito por Rachid, chamou o ex-secretário para uma conversa em seu gabinete e, sem muita cerimônia, comunicou que ele seria substituído por Lina Maria Vieira, atual superintendente da Receita na 4ª Região Fiscal. A demissão e a substituição foram sumárias.

Na manhã de quinta-feira, a nomeação da nova secretária já estava publicada no Diário Oficial da União. No site da Receita Federal na internet, a troca também já havia sido consumada. Rachid foi pego inteiramente de surpresa e, por essa razão, revela um amigo próximo, "ficou chateado" e "abatido". No Diário Oficial, consta que sua exoneração foi feita "a pedido".

"Foi tudo muito rápido. Ele não esperava por isso", sustenta um amigo. "Não se falou sequer em transição", diz outra fonte. De fato, ontem, o ex-secretário gastou o dia arrumando gavetas no 7º andar do edifício-sede do Ministério da Fazenda e dando algumas informações à sua substituta.

Na conversa da noite de quarta, Mantega teria acenado com a possibilidade de indicar o ex-secretário para outro cargo no governo. Rachid agradeceu e disse que ficaria de pensar no assunto. Segundo amigos, ele recusará a oferta.

As versões desencontradas de Mantega e Rachid têm uma razão e ainda podem criar algum constrangimento para o ministro da Fazenda. Desde que assumiu o ministério, em março de 2006, Mantega planejava demitir os dois remanescentes da equipe de seu antecessor, Antonio Palocci - Bernard Appy, então secretário-executivo da Fazenda, e Jorge Rachid. O desejo nunca era concretizado porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva gostava dos dois e, na prática, obrigava Mantega a mantê-los nos cargos.

Appy tem ligações com o PT desde o início dos anos 90, quando assessorou a bancada do partido na Câmara dos Deputados. No Ministério da Fazenda, tornou-se o braço direito de Palocci, inclusive, no processo de adesão do governo Lula à ortodoxia econômica. Rachid foi indicado para o comando da Receita em 2003, por seu antecessor, Everardo Maciel, e contra a vontade do PT, que, com o apoio do então chefe da Casa Civil, José Dirceu, gostaria de ter na função Deomar Moraes, ex-chefe do serviço de inteligência da Receita.

Preocupado com um possível aparelhamento político da Receita, Palocci manteve o Fisco sob os cuidados de um funcionário de carreira. A decisão teve repercussões políticas. Nomeado secretário, Rachid tornou-se alvo de investigação do serviço de inteligência da Receita, comandado na época por Deomar Moraes. O motivo: em 1994, na esteira dos escândalos revelados pela CPI do Caso PC, ele autuou a construtora OAS em R$ 1,1 bilhão. Contratados pela empresa, dois auditores licenciados da Receita - Sandro Martins e Ricardo Balthazar - conseguiram reduzir o débito, quatro anos depois, para R$ 25 milhões. Mais tarde, os dois voltaram a trabalhar na Receita, a convite de Everardo Maciel.

Os inimigos de Rachid sustentaram a tese de que houve tráfico de influência em benefício da construtora. Em meados de 2003, Rachid substituiu Deomar e, desde então, correm processos na Justiça e na Receita Federal para apurar o caso. O primeiro, segundo fontes, estaria parado por falta de provas do envolvimento do ex-secretário. Ontem, especulava-se em Brasília que o processo administrativo seria arquivado, como uma espécie de prêmio de consolação para Rachid. Amigos e assessores rejeitam essa possibilidade. "Se isso fosse oferecido a Rachid, ele pediria imediatamente que o processo fosse reaberto", diz uma fonte.

Com a saída de Palocci da Fazenda em 2006, Rachid ficou numa situação delicada no cargo, mas, com o tempo, acabou ganhando a simpatia do presidente Lula. "Ele participava de reuniões aqui no Palácio, sempre expondo posições muito moderadas", diz um assessor do presidente.

Mantega já havia tentado demitir Rachid em outra ocasião, para abrigar o então ministro da Previdência Social, Nelson Machado. Ambos já haviam trabalhado juntos quando Mantega foi ministro do Planejamento e Machado, seu secretário-executivo. Do Planejamento, Machado foi para o comando da Previdência, de onde saiu em março de 2007 para dar lugar a Luiz Marinho. O plano do ministro da Fazenda era abrigá-lo na recém-criada Super-Receita, mas, impossibilitado, nomeou-o secretário-executivo da Fazenda.

Com a demissão de Rachid, Mantega concluiu a retirada de todos os secretários que trabalharam para Palocci. Recentemente, o ministro criou um cargo "honorário" para Appy - o de secretário de assuntos institucionais, em São Paulo. Para seu lugar na Secretaria de Política Econômica, nomeou o economista Nelson Barbosa. Procurados, a assessoria do ministro Guido Mantega e Jorge Rachid não retornaram ao ligações até o fechamento desta edição.

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