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Demanda menor leva a ajustes na petroquímica

Depois da indústria automobilística e da Vale, é a vez de o setor petroquímico anunciar ajustes para acompanhar a desaceleração da economia. As primeiras medidas foram anunciadas ontem pela Braskem, que reduziu em até 6% o nível de produção de algumas de suas linhas.

Agência Estado |

Para a Quattor, o ritmo de crescimento no consumo de resinas em 2009 cairá à metade do observado nos últimos anos.

Os ajustes na produção seguem, principalmente, a redução do ritmo da indústria automobilística, um dos principais consumidores de resinas, que já anunciou férias coletivas em diversas unidades. Segundo estimativa do presidente da Quattor, Vítor Mallmann, o mercado de resinas deve cair 10% nos últimos meses de 2008. Para 2009, ele estima avanço de 3%, frente a 6,5% verificados em 2007.

"A economia mundial deve sofrer uma recessão no próximo ano, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, e a China deve crescer em torno de 7%. Isso significa que, em função das novas entradas de ofertas de petroquímica (novas petroquímicas entrando em operação), principalmente no Oriente Médio, o ciclo de baixa deve acontecer no segundo semestre, independente de um cenário mais recessivo no mundo", disse o presidente da Braskem, Bernardo Gradin.

Diante desse cenário, a empresa decidiu reduzir em pelo menos R$ 100 milhões os investimentos previstos para este ano, que totalizavam R$ 1,35 bilhão. Para 2009, disse Gradin, o volume deve ser reduzido ainda mais. A companhia informou que vai rever os cronogramas de todos os projetos. A nova linha de polipropileno de Camaçari, por exemplo, deve ser adiada em um ano. Em relação aos investimentos anunciados para Triunfo (RS), a expectativa é de que a crise resulte em mudanças nos cronogramas e até mesmo na escolha de quais atividades serão ampliadas.

A Quattor ainda não fala em medidas para reduzir a produção, mas, na opinião de analistas, deve seguir sua concorrente caso a demanda permaneça fraca por mais tempo. A companhia inaugura em dezembro uma unidade de resinas na PQU, que deve operar abaixo de sua capacidade por algum tempo. "Está todo mundo realizando estoques, na expectativa sobre o que vai acontecer. Não há como prever por quanto tempo a demanda ficará reprimida", comentou Mallmann.

Segundo o executivo, a petroquímica brasileira trabalha com 80% de sua capacidade, enquanto a média mundial antes da crise superava os 90%. Gradin disse que o nível de ocupação da Braskem está em 87%, e novas quedas poderão representar maiores cortes na produção. "Se esse número cair mais três pontos porcentuais, é mais vantajoso interromper uma linha", disse.

O baque só não é maior, diz Mallmann, porque a desvalorização do real ampliou a competitividade das resinas nacionais frente ao produto importado, que atende hoje parte do mercado brasileiro. "É possível que parte da demanda que vinha sendo suprida por importações passe a ser fornecida localmente", concorda Otávio Carvalho, diretor da Maxiquim.

Com a previsão de um novo ciclo de baixa a partir do segundo semestre de 2009, há no setor quem veja riscos de adiamento do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), principal projeto nacional de expansão de capacidade, com investimentos previstos de US$ 8,4 bilhões. Carvalho, porém, lembra que o projeto é capitaneado pela Petrobrás, "que tem recursos para investir, tem participação do governo e observa aspectos políticos e sociais, e não só técnicos, nas decisões".

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