O mercado de captações externas promete ficar ainda mais aquecido para as empresas brasileiras. Depois de grandes bancos e companhias de primeira linha, como a Vale, abrirem a janela de oportunidade para a emissão de bônus no exterior este ano em operações com forte demanda, a expectativa é de que empresas de menor porte, que não são grau de investimento, ganhem mais espaço nessas operações.

O mercado de captações externas promete ficar ainda mais aquecido para as empresas brasileiras. Depois de grandes bancos e companhias de primeira linha, como a Vale, abrirem a janela de oportunidade para a emissão de bônus no exterior este ano em operações com forte demanda, a expectativa é de que empresas de menor porte, que não são grau de investimento, ganhem mais espaço nessas operações. Com a alta procura, as taxas pagas aos investidores em algumas emissões voltaram a níveis anteriores à crise. Os prazos também melhoraram, com espaço até para bônus perpétuos (sem prazo de vencimento), como os que a Globo Comunicação e Participações está colocando no mercado. Nos últimos dias, foi a vez dos bancos médios acessarem o mercado. O Banco ABC acaba de captar US$ 300 milhões. Ontem, BicBanco e Panamericano começaram a oferecer papéis de 10 anos. BMG e Fibra podem acessar o mercado externo nos próximos dias, já que têm papéis emitidos lá fora vencendo nas próprias semanas, segundo fonte de um banco de investimento. Após os bancos médios, a expectativa agora se volta para empresas de porte menor. Segundo fontes, Frangosul e Cosipar estão oferecendo papéis no mercado e pretendem captar, cada uma, cerca de US$ 50 milhões. Entre as grandes companhias, há a expectativa de captação da Petrobras, Eletrobras e também do governo brasileiro. Já para os bancos, a expectativa é de redução no ritmo de emissões a partir de agora. De acordo com um executivo que acompanha esse mercado, as instituições financeiras foram responsáveis por cerca de 70% dos lançamentos de bônus externos feitos neste ano. Mas essa participação deve cair, já que os investidores indicaram que o apetite por papeis do setor financeiro deve diminuir. "Nos últimos road shows, os investidores manifestaram uma certa satisfação por volume de papeis de bancos. Acho que veremos só mais umas duas ou três operações no curto prazo", afirmou. <b>Sem grau de investimento</b> Se o apetite por instituições financeiras está menor, cresce o interesse em empresas que não são grau de investimento e podem oferecer taxas de retorno melhores. Como exemplo, o executivo citou a operação da Magnesita, concluída no final de março e que apresentou uma boa demanda. "Os juros nessas operações estão em níveis baixos, menores que no pré-crise, o que faz com que os investidores tenham cada vez maior apetite por empresas que pagam melhor", explicou. As empresas de menor porte, porém, ainda não encontram o mercado totalmente aberto. Segundo o diretor da Queluz, butique de investimentos que coordena emissões externas, Plínio Chap Chap, enquanto os bancos pagam na média juro de 6,5% ao ano, empresas têm que oferecer taxas na casa dos 10%. "Os bancos são muito regulados e todos os que captaram até agora são de capital aberto, por isso as taxas mais baixas que empresas", diz o executivo. Ontem, o Itaú fechou captação de US$ 1 bilhão pagando 6,261% em papéis de 10 anos. A taxa ficou no piso da faixa indicativa que circulava no mercado. "A demanda por papéis brasileiros é muito alta, seja por papéis de bancos ou de empresas não financeiras", destaca o diretor da área internacional do Banco Máxima, Carlos Gribel. Segundo ele, as emissões de maior porte, normalmente na casa dos US$ 300 milhões, estão sendo colocadas facilmente no exterior, por conta do interesse dos investidores. "Há a percepção lá fora de que os bancos saíram fortalecidos da crise." Já emissões de menor porte, abaixo de US$ 100 milhões, ainda têm dificuldade de colocação, por conta da liquidez. Os investidores preferem alocar parcela maior de recursos e participar de operações maiores, que contam com mercado secundário mais estruturado. <b>Petrobras</b> O mercado também tem a expectativa de que a Petrobras faça uma grande emissão de bônus. Segundo duas fontes, a empresa estaria esperando a definição de sua capitalização para em seguida fazer uma emissão. No entanto, um executivo de um grande banco lembra que a Petrobras já possui um programa de emissões registrado no exterior e que isso torna um lançamento de bônus pela estatal um processo mais rápido, que poderia ser realizado em poucas semanas. A Eletrobras também anunciou que deve captar no exterior. <b>Diversificação regional</b> O interesse por papeis de empresas brasileiras é confirmado não só pelo volume das captações, mas também pelo maior diversidade de investidores. O vice-presidente financeiro do ABC Brasil, Sérgio Lulia Jacob, afirmou que nas emissões passadas os títulos ficavam concentrados basicamente na Europa e Estados Unidos. Na última captação feita pelo banco, concluída no final de março, o perfil mudou muito. Do volume de US$ 300 milhões emitido pelo ABC, uma parcela de 36% ficou em mãos de investidores europeus (principalmente Londres) e 24% com os baseados na América do Norte. Outros 19% foram para a mão de investidores asiáticos, com maior concentração no Oriente Médio, Cingapura e Hong Kong. A surpresa é que uma fatia de 21% foi destinada a investidores de outros países da América Latina, em especial fundos de previdência do Chile e Colômbia. "Hoje o mundo todo tem interesse por papeis brasileiros", comemorou o executivo. Outra mudança em curso é em relação ao perfil dos investidores, com uma maior participação dos fundos institucionais. De acordo com Lulia, os institucionais ficaram com 55% da emissão e os private banking, com 45%. Nas emissões passadas, o executivo lembra que era o perfil era o contrário, ressaltando que os investidores institucionais são considerados de maior qualidade e que compraram os títulos mesmo a emissão não tendo sido classificada como grau de investimento pelas agências de risco.
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