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Dell e Lenovo tentam comprar a Positivo Informática

As negociações para a aquisição da Positivo Informática avançaram. Nas últimas semanas, executivos da americana Dell e da chinesa Lenovo estiveram na sede de companhia, em Curitiba, para fazer uma visita formal.

Agência Estado |

É o primeiro passo para que uma oferta seja colocada na mesa. O interesse pela compra é grande, afirmam fontes ligadas às empresas. Para organizar o assédio dos possíveis compradores e avaliar as propostas, a Positivo contratou o banco UBS Pactual, o mesmo que coordenou a abertura de capital da maior fabricante de computadores do País.

A Positivo atrai porque está barata. Na Bolsa, é avaliada em R$ 409 milhões, enquanto seu valor patrimonial é de R$ 478 milhões, segundo balanço do terceiro trimestre. Suas ações já caíram 89% desde o início do ano, uma das maiores quedas registradas em 2008. Procurados, a Dell informou que não comenta rumores de mercado e representantes da Lenovo não foram encontrados. O presidente da Positivo, Helio Rotenberg, afirmou que não há nada que justifique qualquer anúncio legal. "Não é que não tenhamos sido procurados desde que abrimos o capital, mas não há absolutamente nada concreto", ressaltou, em nota.

A questão é que, quanto mais o tempo passa, menos ela pode valer. Isso porque a sua participação de mercado, o grande atrativo da companhia, está em queda desde o ano passado. No segmento de notebooks - o grande filão do mercado -, ela saiu de 57% no segundo trimestre de 2007 para 21,4% no varejo no terceiro trimestre deste ano, segundo dados da consultoria IDC e da empresa. Nesse período, a empresa viu avançarem marcas populares como CCE, STI e Intelbras.

"A Positivo vale as fábricas, o market share e a rede de distribuição no varejo. Se ela não consegue manter o market share, vale menos", diz Alan Cardoso, analista da Corretora Ágora. "A Dell é quem levaria mais vantagem, pois tem marca e dinheiro para investir em pesquisa e desenvolvimento, o que a diferenciaria das outras empresas com as quais a Positivo disputa no varejo."

Mas aquisição da Positivo não será simples, diz Cardoso. Se chegarem a fazer uma proposta formal, os interessados vão esbarrar em algumas cláusulas que tornariam a operação impraticável. O Estatuto Social da companhia diz que quem comprar mais de 10% das ações terá de considerar a maior cotação da companhia nos 24 meses antes da oferta pública de aquisição de ações (OPA). No caso, o pico foi R$ 47,15, dez vezes mais do que ela vale hoje. "Uma solução seria alterar o estatuto social, o que exigiria aprovação de dois terços dos acionistas, ou fechar o capital da companhia, o que implicaria no pagamento de prêmio aos minoritários", explica Cardoso.

A Dell é apontada como favorita nessa briga. Embora tenha iniciado um processo de venda de fábricas ao redor do mundo, optando por terceirizar a produção, a compra da Positivo significaria uma estréia definitiva no varejo brasileiro. Hoje, a sua participação nesse segmento é quase nula. A Positivo é líder no País, com 23,3% das vendas no varejo, incluindo computadores de mesa e portáteis. Na última apresentação de resultados, os americanos deixaram claro o seu foco nos países do BRIC.

Maior fenômeno de informática do Brasil, a Positivo agora enfrenta uma situação dramática. Com a competição mais apertada, suas margens caíram. Numa indústria que importa boa parte dos insumos, o dólar a R$ 2,50 só piora as perspectivas de continuar ganhando dinheiro. Para completar, as projeções para setor não são otimistas, já que esse é um mercado que depende de crédito para deslanchar.

As informações são da edição de sábado do jornal O Estado de S.Paulo.

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