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Acumulado do primeiro trimestre nas transações correntes ficou em pouco mais US$ 12 bilhões.

O déficit em transações correntes acumulado no primeiro trimestre, de US$ 12,145 bilhões, é o pior da série do Banco Central para os primeiros três meses do ano. A série teve início em 1947. As informações são do chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes.

Lopes atribuiu o aumento do déficit em transações correntes no primeiro trimestre do ano ao crescimento dos gastos com serviços, principalmente viagens internacionais e aluguel de equipamentos. Segundo ele, as contas de serviços "lideraram" o aumento do déficit. Na sua avaliação, a expansão de US$ 7 bilhões no déficit no primeiro trimestre deste ano, que saiu de US$ 4,938 bilhões em igual período de 2009 para US$ 12,145 bilhões nos primeiros três meses deste ano, já era esperada. Segundo ele, a expectativa é de crescimento do déficit por força do maior nível de atividade econômica.

Ele citou como exemplos a conta de viagens que, com maior renda e emprego, os brasileiros acabam fazendo mais viagens ao exterior. Além disso, ele destacou a conta de serviços, com pagamento de aluguel de equipamentos, que está associada ao maior nível de investimentos. Pelos cálculos de Lopes, dos US$ 7 bilhões de incremento do déficit de conta corrente no primeiro trimestre, US$ 3,5 bilhões estão associados ao aumento com gastos na conta de serviços. Outro motivo para o aumento do déficit é a maior remessa de lucros e dividendos das empresas ao exterior. Segundo ele, é natural que, com maior crescimento da economia, as empresas apresentem lucros maiores e, por isso, enviem mais recursos ao exterior.

Também influenciou no saldo o aumento das despesas líquidas com juros. Ele explicou que esse crescimento não se dá por conta de um aumento das despesas no pagamento de juros, mas sim porque as receitas com juros estão menores em função do menor nível de taxa de juros internacional, que remunera as reservas internacionais brasileiras.

Outro componente a influenciar o resultado negativo das contas externas, segundo ele, é o saldo comercial menor este ano. Dos US$ 7 bilhões de aumento do déficit, US$ 2 bilhões são decorrentes do saldo comercial menor que reflete a expansão das importações. Lopes disse que a expectativa é de que, a partir de maio e junho, haja uma melhora do saldo comercial em função de maiores exportações. O chefe do Depec disse que a expectativa de melhora está associada ao incremento do preço de commodities e também a uma maior quantidade exportada. A expectativa é também de um aumento das importações, sobretudo de insumos, matérias-primas e bens de capital.

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