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Déficit externo fica abaixo do esperado em outubro

Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - O déficit em transações correntes do Brasil ficou abaixo do esperado em outubro, refletindo uma desaceleração das remessas feitas por empresas e uma queda dos gastos dos brasileiros com serviços estrangeiros diante do encarecimento do dólar.

Reuters |

Dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira mostraram, ainda, que em meio ao agravamento da crise econômica global, os investimentos estrangeiros diretos no país foram recordes para o mês em outubro, enquanto os investimentos em ações e renda fixa, de prazo menor, tiveram uma saída líquida expressiva.

O déficit em transações correntes foi de 1,507 bilhão de dólares em outubro. A cifra é bem superior ao déficit de 116 milhões de dólares do mesmo período do ano passado, mas ficou abaixo das projeções do BC (2 bilhões de dólares) e do mercado (2,45 bilhões de dólares, segundo sondagem da Reuters).

Para novembro, a estimativa do BC é de um saldo negativo de 500 milhões de dólares em conta corrente.

"O balanço de pagamentos apresenta uma mudança na sua estrutura muito importante, com redução na dívida externa líquida e uma elevação do investimento", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a jornalistas.

"Essa mudança permite um ajuste bem mais rápido no resultado em transações correntes quando você tem situações como essas que nós estamos vivenciando agora."

No mês passado, as remessas de lucros e dividendos, conta que vinha contribuindo para pressionar o déficit externo no último ano, caiu na comparação ao mesmo período de 2007 --de 2,201 bilhões de dólares para 1,813 bilhão de dólares.

O dado parcial de novembro, até o dia 24, também mostra uma acomodação, com as remessas somando 1,230 bilhão de dólares.

Para Lopes, essa retração reflete o esgotamento de um processo de remessa de lucros auferidos pelas empresas em meio ao encarecimento do dólar.

"Chega um ponto em que você não tem mais o que remeter", afirmou.

A valorização do dólar também já impacta as despesas com alguns serviços.

Os gastos dos brasileiros com viagens internacionais caíram em outubro frente ao mesmo mês do período do ano anterior --de 915 milhões de dólares para 774 milhões de dólares. Foi a primeira redução nessa conta nesse tipo de comparação desde maio de 2004, segundo o BC.

As despesas com computação e informações caiu para 63 milhões de dólares no mês, ante 68 milhões de dólares há um ano.

INVESTIMENTOS

Os investimentos estrangeiros diretos no país somaram 3,913 bilhões de dólares em outubro, dado recorde para o mês e frente a 3,188 bilhões de dólares em outubro de 2007.

No acumulado do ano, os investimentos estrangeiros somaram 34,747 bilhões de dólares e já superaram o fluxo de todo o ano de 2007, que até então era recorde.

Para novembro, a aposta do BC é que os investimentos diretos somarão 2,8 bilhões de dólares.

Os investimentos estrangeiros em carteira, por outro lado, tiveram saída líquida de 7,486 bilhões de dólares em outubro, ante ingresso líquido de 5,312 bilhões de dólares em igual período de 2007, refletindo a volatilidade global em meio à crise.

Dados parciais de novembro, segundo Lopes, já mostram um comportamento "mais benigno" para esse fluxo. Até o dia 24, a saída de investimentos em ações foi de 880 milhões de dólares e da renda fixa, de 604 milhões de dólares.

"O pior da crise foi em outubro, o que se espera agora são movimentos menos intensos de saída", afirmou Lopes.

Em 12 meses até outubro, o déficit em transações correntes correspondeu a 1,71 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), ante 1,64 por cento do PIB em 12 meses até setembro.

O BC informou ainda que a liquidação de suas vendas de dólares no mercado à vista de câmbio somou 4,6 bilhões de dólares em outubro.

(Edição de Vanessa Stelzer)

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