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Déficit externo de US$ 12 bilhões é recorde

As contas externas sofrem cada vez mais com o ritmo de crescimento da economia. O gasto crescente com bens importados e serviços internacionais, como viagens e aluguel de equipamentos, provocou forte aumento no déficit das contas externas.

AE |

As contas externas sofrem cada vez mais com o ritmo de crescimento da economia. O gasto crescente com bens importados e serviços internacionais, como viagens e aluguel de equipamentos, provocou forte aumento no déficit das contas externas. O déficit em transações correntes (resultado de todas as operações do País com o exterior) aumentou 145% no primeiro trimestre em comparação com igual período do ano passado. O déficit foi de US$ 12,14 bilhões, o pior para o período desde o início da série em 1947. Só no mês passado, o déficit somou US$ 5,06 bilhões, o pior março também desde 1947 - valor 225% maior que em março de 2009. A balança comercial despencou, o que agravou as contas externas. Para o Banco Central, não há motivo para preocupação porque o rombo será coberto com os dólares que ingressam no País para investimentos produtivos e aplicações financeiras. Deterioração. A deterioração das contas externas é resultado de uma combinação perversa. De um lado, a economia aquecida aumenta o gasto em dólares para pagar serviços em outros países. Em três meses, o pagamento dessas despesas somou US$ 6,31 bilhões, alta de 122% na comparação com 2009. Um exemplo é o aluguel de equipamentos, como guindastes e plataformas de petróleo. No primeiro trimestre, a conta ficou negativa em US$ 2,88 bilhões, com aumento de 47,8%. O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, diz que, nesse caso, o gasto é positivo porque representa novos investimentos. Do aumento de US$ 7,2 bilhões do déficit, US$ 3,5 bilhões são decorrentes dos gastos maiores com o pagamento de serviços. Balança despencou. Não são apenas os investimentos que explicam o rombo: a contribuição positiva do comércio exterior (exportações menos importações) despencou 70% no trimestre, com um superávit de US$ 892 milhões no trimestre. A retração é reflexo do aumento das importações - gerado pela economia aquecida e câmbio favorável - somado ao fraco desempenho das exportações. As vendas externas ainda estão fracas, por causa da valorização do real e da baixa demanda externa. O aumento das remessas de juros e dividendos também vem pressionando as contas externas. Com o real valorizado, as empresas aproveitam o câmbio favorável para remeter os lucros paras as matrizes. No trimestre, as remessas crescerem 29% e atingiram US$ 4,58 bilhões. Apesar dos recordes negativos, Altamir Lopes não demonstrou preocupação. O argumento é que o déficit continua sendo coberto integralmente pelo ingresso de Investimento Estrangeiro Direto (IED) e aplicações financeiras. "A vulnerabilidade é reduzida atualmente e o balanço de pagamento deixou de ser um problema", afirmou. No trimestre, o Brasil recebeu US$ 5,65 bilhões em investimentos produtivos e outros US$ 9,74 bilhões para compra de ações e títulos de renda fixa. Esses dólares foram suficientes para cobrir o rombo de pouco mais de US$ 12 bilhões da conta corrente. Será o primeiro ano desde 2001 em que o déficit corrente não será coberto apenas pelo IED e, para fechar a conta, será necessário usar recursos que ingressam para o mercado financeiro. Recorde em ações. O otimismo do BC com o financiamento das contas externas pode ter relação com o bom desempenho do mercado acionário nos últimos meses. No trimestre, estrangeiros aumentaram a posição em ações negociadas no Brasil em US$ 5,02 bilhões, o melhor resultado para o trimestre da série. O economista-chefe do Banco Espírito Santo, Jankiel Santos, diz que não há grandes motivos para preocupação. "O ingresso de capital para ações e renda fixa somado ao investimento produtivo continua sendo suficiente para cobrir o déficit. Mas não resta dúvida de que há deterioração das contas", diz.

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