Tamanho do texto

BRASÍLIA - O déficit da conta corrente externa deve reduzir o ritmo em novembro, mesmo com a saída ainda forte de aplicações estrangeiras do país, como reflexo direto da crise de liquidez internacional. O Banco Central (BC) projeta resultado negativo de US$ 500 milhões após a conta corrente ser deficitária em US$ 1,5 bilhão em outubro e em US$ 24,77 bilhões no ano.

De acordo com o BC, entre os fatores atenuantes, há um recuo nas remessas de lucros e dividendos, que no mês até hoje registram US$ 1,23 bilhão, depois de saídas líquidas de US$ 1,81 bilhão no mês passado e acumular o recorde de US$ 29,313 bilhões entre janeiro e outubro.

" Essas remessas foram fortíssimas ao longo do ano para cobrir posições das matrizes das multinacionais no exterior " , comentou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. " Mas isso chega a um ponto em que esses lucros se esgotam " , continuou ele, acrescentando que a expectativa é de menor pressão para novembro.

Ainda do lado positivo, Lopes cita recuo nos gastos de brasileiros em viagens ao exterior, outro item de pressão nas contas externas quando o preço do dólar americano estava em baixa, antes da crise. Em outubro, por exemplo, esses gastos caíram para US$ 774 milhões depois do US$ 1,12 bilhão em setembro, a primeira queda mensal desde 2004. Em novembro até hoje, essas despesas chegam a US$ 435 milhões.

Também favorável são os investimentos externos diretos (IED), que em outubro atingiram US$ 3,913 bilhões, a melhor marca para o mês. No ano até hoje, totalizam US$ 37,09 bilhões, volume recorde para a série histórica iniciada em 1947.

" São investimentos não afetados pela crise, por partirem de decisões anteriores, recursos que vêm com visão de longo prazo " , comemorou o técnico, informando que apesar de já ultrapassada a meta de US$ 35 bilhões para 2008, nova projeção de IED sai somente no próximo mês.

Já por efeito da crise mundial, as saídas de aplicações externas em ações em novembro até hoje somam US$ 880 milhões, após retiradas líquidas no montante expressivo de US$ 6,068 bilhões em outubro. Os resgates em aplicações de renda fixam já somaram US$ 604 milhões este mês, sendo que no mês passado ficaram em US$ 1,4 bilhão.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)