O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, informou nesta quinta-feira que o déficit em conta corrente no acumulado do ano até julho, de US$ 19,512 bilhões, é o pior resultado para o período desde o início da série histórica, em 1947. Ele também afirmou que o déficit em transações correntes de julho, de US$ 2,111 bilhões, é o pior resultado para os meses de julho desde 1997, quando a conta corrente ficou negativa em US$ 3,073 bilhões.

Mesmo assim, Altamir disse que há uma tendência de desaceleração do déficit em conta corrente, que já foi verificada no resultado de julho (US$ 2,111 bilhões) que, apesar de elevado, foi menor do que o registrado no mês anterior (US$ 2,596 bilhões em junho).

Altamir espera nos próximos meses uma redução no ritmo de despesas com serviços, assim como no de remessas de lucros e dividendos enviadas pelas empresas multinacionais com sede no Brasil. Ele disse que a desaceleração das remessas nos próximos meses deve ocorrer porque "há limite para o envio", que costuma ser mais concentrado nos primeiros meses do ano.

Por outro lado, ele prevê um comportamento mais favorável da balança comercial brasileira. "O déficit em conta corrente vem decrescendo e nós esperamos uma desaceleração ao longo do ano", disse.

Altamir destacou ainda que a conta corrente vem sendo financiada com recursos duradouros, como o Investimento Estrangeiro Direto (IED), que em julho somou US$ 3,24 bilhões. No acumulado do ano de janeiro a julho, o IED soma US$ 19,942 bilhões, valor correspondente a 2,46% do Produto Interno Bruto (PIB). Em agosto até hoje, segundo Altamir, o fluxo de IED foi de US$ 4,5 bilhões e prevê para o fim deste mês um fluxo total de US$ 5,2 bilhões.

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