BRASÍLIA - Com déficit de US$ 19,51 bilhões de janeiro a julho, o pior resultado desde 1947 para o intervalo, a conta corrente externa do país já acumula 92,9% da previsão para todo 2008, que é de US$ 21 bilhões de resultado negativo. O Banco Central (BC) aposta, porém, em desaceleração dos déficits até dezembro, projetando US$ 1 bilhão para agosto.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, justifica sua expectativa mais otimista em razão da sazonalidade que gera contração na remessa de dólares em pagamento de serviços como transportes e viagens e de rendas como juros, lucros e dividendos, no segundo semestre. A melhora verificada na balança comercial é o contraponto.

Observa-se uma tendência de desaceleração e a expectativa é de que se mantenha essa tendência daqui para o fim do ano, Lopes afirmou. A projeção de déficit de US$ 1 bilhão para este mês é a metade dos US$ 2,111 bilhões negativos da conta corrente em julho, bastante pressionada no mês passado por recordes de saídas de divisas em viagens internacionais, transportes e na conta de juros.

O técnico da autoridade monetária lembrou a sazonalidade dos vencimentos (janeiro e julho) de juros dos Global bonds colocados pelo Tesouro no exterior. A despesa bruta de juros somou US$ 2,019 bilhões no mês passado, mais do que o dobro dos US$ 815 milhões em junho. Em agosto até hoje a remessa líquida está em US$ 420 milhões, ante US$ 1,288 bilhão ao fim de julho.

Também há recuo nas remessas de lucros e dividendos das multinacionais, que neste mês até hoje acusam US$ 1,077 bilhão, ante US$ 3,138 bilhões em julho e US$ 3,396 bilhões em junho.

É natural que essas remessas continuem a cair daqui para frente, pois se esgota as disponibilidades, que foram bem elevadas no primeiro semestre do ano, notou.

Nos serviços externos, ele espera redução na conta de transportes, que contabiliza fretes e passagens internacionais. Lopes cita que há um ritmo menor no avanço das importações. E o turismo de brasileiros ao exterior é sempre menos intenso no segundo semestre, depois de ter seu pico anual no mês de julho.

Ele lembrou que novas projeções para o comportamento das contas externas do país só serão divulgadas em setembro.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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