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Defesa de Cacciola quer escolher presídio para banqueiro

A defesa do ex-banqueiro Salvatore Cacciola vai se dirigir à Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro para solicitar a permanência do réu no presídio de Água Santa, na zona norte do Rio. De acordo com um dos advogados de Cacciola, Alan Bousso, caberá à administração penitenciária fluminense decidir qual presídio o ex-banqueiro ficará preso.

Redação com agências |

 

Além do presídio de Água Santa, ele poderia ser encaminhado para Bangu 8.

AE
Salvatore  Cacciola volta ao Brasil e dá entrevista coletiva em aeroporto no Rio
Salvatore Cacciola volta ao Brasil e dá entrevista coletiva no Rio de Janeiro


Porém, de acordo com os advogados, o ex-banqueiro prefere a permanência em Água Santa por ser uma instalação que oferece um acesso mais fácil à sua família, em termos de localização.

Inicialmente, Cacciola vai estar em uma cela com mais um preso, segundo Bousso. Mas a defesa do ex-banqueiro vai apelar à administração penitenciária do Rio para que seja disponibilizado uma cela especial para Cacciola. Segundo a defesa, o presídio não dispõe de instalações para presos com nível superior.

Chegada ao Brasil

Depois de 10 meses preso no Principado de Mônaco, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola chegou ao Brasil na madrugada desta quinta-feira. O vôo 8055 da TAM pousou no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, por volta das 4h30.

Em rápida entrevista concedida, na manhã desta quinta-feira, na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio, Cacciola disse que errou ao viajar para Mônaco. O ex-banqueiro afirmou também que não é um foragido. "Fui para a Itália com passaporte carimbado, entrei na Itália e saí (do Brasil) livre, com decisão do ministro Marco Aurélio Mello [do Supremo Tribunal Federal, que, em 2000 deu liminar a ele devido a pedido de prisão preventiva expedido pelo Ministério Público], cheguei na Itália em 17 de julho e estou voltando ao Brasil em 17 de julho".

Cacciola disse ainda que se sente tranqüilo e confia na Justiça. "Estou voltando preso, mas é bom lembrar que as pessoas que foram condenadas junto comigo nesse processo estão trabalhando, estão livres. Eu não estava fazendo nada diferente do que elas estavam fazendo aqui (no Brasil). Só que eu estava fazendo na Itália e respondendo a todos os processos por rogatória. Estava sempre à disposição da Justiça; a diferença é que eu estava na Itália."

Após prestar rápido depoimento na PF, Cacciola foi levado, por volta das 9h30, ao Presídio Ary Franco, no bairro de Água Santa, na zona norte do Rio de Janeiro.

Sem algemas

Cacciola não foi algemado por decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Gomes de Barros, que havia concedido liminar para impedir os policiais federais de algemar o ex-banqueiro na sua chegada ao País.

Segundo a estudante Heloisa Helena de Almeida, que estava no mesmo vôo, Cacciola aparentava tranqüilidade. "Ele não estava algemado, estava acompanhado de alguns agentes e muito tranqüilo, com cara de férias", disse a estudante.

Cacciola foi acompanhado por oito agentes da PF e pelo procurador da República Arthur Gueiros. O advogado disse que espera conseguir um habeas-corpus para Cacciola dentro de 15 dias.

"A prisão preventiva de 81 dias já expirou e há outras pessoas no caso que estão em liberdade", disse Eluf. "Ele (Cacciola) não fugiu. Ele tinha um habeas-corpus que o permitia sair do País pela fronteira", acrescentou o advogado.

Caso Marka

Em 2005, Cacciola foi condenado no Brasil a 13 anos de prisão pelo crime de desvio de dinheiro público e de gestão fraudulenta do Banco Marka. A sentença diz que os Bancos Marka e FonteCindam deram R$ 1,5 bilhão de prejuízo à União durante a crise cambial de janeiro de 1999. Como tem cidadania italiana, ele passou a viver na Itália e não podia ser preso porque o país não extradita seus cidadãos.

Cacciola foi preso no Principado de Mônaco em setembro de 2007 por agentes da Interpol, depois que a 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro expediu o mandado. Posteriormente, o governo brasileiro pediu a extradição - deferida na semana passada pelo príncipe Albert II.

O ex-banqueiro deixou a prisão em Mônaco às 13h30 desta quarta-feira(8h30 em Brasília), rumo ao aeroporto local, escoltado por agentes da Polícia Federal. Cacciola estava preso em Mônaco desde 15 de setembro do ano passado.

Ele embarcou em um helicóptero, seguindo para o aeroporto de Nice, na França, onde embarcarcou em um vôo da Air France rumo a Paris, de onde partiu rumo ao Brasil.

A operação de extradição vinha sendo organizada havia 12 dias, quando o príncipe Albert II, soberano de Mônaco, homologou o parecer do Tribunal de Apelações do principado. A intenção inicial era promover a extradição do ex-foragido número 1 do Brasil na semana passada, mas trâmites burocráticos exigidos pelo governo da França comprometeram os planos.

Na sexta-feira, um enviado da Secretaria Nacional de Justiça chegou à Europa para acelerar o processo. Na terça (15) à noite, o mesmo representante viajou para o principado. Junto dele seguiu uma equipe da PF.

(Com informações da Agência Estado e Reuters)

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