Piracicaba, SP, 01 - A Dedini Indústrias de Base apresentou hoje no Simpósio Internacional e Mostra de Tecnologia da Agroindústria Sucroalcooleira (Simtec), em Piracicaba (SP), os projetos pioneiros de produção de água doce a partir da otimização do uso do líquido nas usinas de cana-de-açúcar e ainda uma nova tecnologia para destilação e desidratação do álcool. Os projetos tornam entre 4% e 20% mais caras as novas usinas, mas o valor pode ser recuperado com a economia de água e energia nos processos, segundo a companhia.

Segundo o vice-presidente de Tecnologia e Desenvolvimento da Dedini, José Luiz Olivério, a "produção" começa com a realização da lavagem a seco da cana-de-açúcar que entra para o processamento, passa pela otimização na evaporação e inclui ainda a retirada do líquido do caldo da vinhaça após a produção de álcool.

"Normalmente, a vinhaça tem entre 3% e 4% de sólidos e nesse processo fazemos uma concentração em até 65% com a retirada da água e a utilização dela na usina", disse Olivério. "A vinhaça concentrada é misturada à torta de filtro e à cinza da caldeira na produção do Biofertilizante Organo-mineral (Biofam), que servirá para a adubação da lavoura de cana", completou o executivo.

Com a otimização dos processos e de acordo com o nível de concentração da vinhaça, a usina será capaz de ser auto-suficiente em relação ao uso do líquido, o que amplia em 10% o custo de instalação, ou até mesmo exportar água, o que encarece a unidade em 20%, de acordo com a Dedini. "Essa alternativa surge no momento em começam a surgir questionamentos sobre o uso da água nas usinas de cana", defendeu Olivério.

Destilação e Desidratação

Já a nova tecnologia de destilação e desidratação de álcool é feita por meio do uso de membranas utilizadas para separarem as moléculas de álcool e água. O projeto prevê a redução de energia e água utilizadas nos processos de destilação tradicionais e será feito em parceria com a canadense Vaperma, produtora das membranas. Uma planta-piloto começa a funcionar em setembro na Usina Costa Pinto, do Grupo Cosan, em Piracicaba.

"Apesar de o custo de uma usina com essa tecnologia ser 4% maior, a geração de receita e o menor custo operacional pagam facilmente esse investimento", disse Oliverio.

A Dedini apresentou ainda no Simtec um novo processo para o resfriamento de água nas usinas, o que pode facilitar o controle da temperatura na fermentação, um dos processos mais sensíveis na produção de açúcar e álcool.

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