São Paulo, 14 - O juiz José Airton de Aguiar Portela, de Santarém, decretou ontem a prisão preventiva do empresário Agenilson José dos Santos, acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de submeter 163 pessoas a trabalho escravo na Perfil Agroindústria Cacaueira, em Placas, no Oeste do Pará. A informação foi divulgada hoje e, segundo o MPF, o objetivo é evitar que o suspeito atrapalhe as investigações.

Além de Santos, foram denunciados quatro dirigentes da Perfil e dois comerciantes que obrigariam os trabalhadores a comprar em seus estabelecimentos o material para cultivo do cacau. Em 25 de setembro, funcionários dos Ministério do Trabalho e Emprego e do Ministério Público do Trabalho, acompanhados por policiais, encontraram 133 adultos e 30 crianças, com idades de 5 a 13 anos, mantidas em condições semelhantes à de escravidão. Segundo o MPF, o empresário portava armas e munição.

Conforme o relatório da operação, os trabalhadores apresentavam ferimentos provocados por facão e picadas de cobras, de aranhas, escorpiões. Um adolescente de 13 anos teria ficado cego do olho esquerdo ao se acidentar quando carregava um saco de cacau com cerca de 40 quilos, segundo documento anexado à denúncia do MPF. Além de não fornecer condições de moradia e higiene adequadas, a empresa mantinha os empregados sem registro.

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