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O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, avaliou que a manutenção da taxa básica de juros em 8,75% ao ano, decidida hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, é uma demonstração de respeito à produção, ao crescimento, ao emprego e, acima de tudo, ao Brasil. Em nota, Skaf reiterou que acredita que o BC tem condições de, em vez de elevar, reduzir a Selic.

"Precisamos estar unidos, governo e sociedade, nesse momento em que ainda saímos de uma grave crise internacional. O governo foi sensível ao nosso apelo, baseado em concreta argumentação técnica, e renovou as condições de crescimento, com a natural geração de novos empregos. Ganham todos, em especial o Brasil", disse. "Prevaleceu o bom senso."

Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, também foi "acertada" a decisão do Copom. "Isso indica que o Banco Central percebe que as pressões inflacionárias existentes são temporárias e sazonais", disse Monteiro Neto. Para ele, um eventual aumento nos juros neste momento seria inadequado porque não teria efeito sobre os preços e prejudicaria a retomada da atividade industrial.

O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Samy Dana, entende que foi acertada a decisão do Copom de não subir a Selic nesta reunião e que segue o cenário internacional. "Até agora, agora a única grande economia que aumentou juros foi a Austrália, em função da crise ainda". No entanto, observou que "obviamente, em abril se espera aumento".

Para ele, a decisão de manter a Selic não deve ter tido influência política. No entanto, disse também que "esta pode ter sido a última reunião do Copom com o (presidente do BC, Henrique) Meirelles". Dana considera que a expectativa de inflação em torno de 5% para 2010 "não preocupa tanto, porque está dentro da meta, que tem centro em 4,5%, mas tem banda".

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (Cbic), Paulo Safady Simão, considerou "prudente" a decisão do Copom. Segundo ele, depois de um PIB de 2009 negativo de 0,2% divulgado pelo IBGE na semana passada, uma alta dos juros neste momento seria uma ducha d'água fria na economia. "Foi uma decisão razoável", disse Simão, explicando que embora a Selic não afete diretamente o valor do financiamento imobiliário, sua manutenção é importante porque afeta o ânimo de toda economia e indiretamente o setor de construção civil.

A Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) divulgou nota em que concorda com a decisão do Banco Central de manter a Selic em 8,75% e diz não ver motivos para um aumento "em um futuro próximo". Para a entidade, a "alta é um obstáculo para o mercado doméstico, que impediu uma queda maior do PIB em 2009".

A Federação considera que "a atividade econômica está sob controle". A Fecomércio lembra que os investimentos estão crescendo e considera que eles darão fôlego à produção, enquanto a retirada de incentivos fiscais como a desoneração do IPI adotada na crise vão contribuir para a desaceleração. "Com a persistente demanda por níveis de juros mais razoáveis e a redução estrutural da carga tributária, é preciso uma política fiscal convergente. O Brasil tem as condições para se confirmar como uma potência da economia mundial. A direção é clara e os riscos continuam subestimados", diz a nota.

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