Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

De volta à realidade, investidor derruba bolsas

A euforia com a vitória de Barack Obama na eleição americana, ao menos do ponto de vista dos mercados financeiros, ficou mesmo para trás. De volta à dura realidade da economia mundial, os investidores retraíram-se novamente ontem e derrubaram as principais bolsas de valores.

Agência Estado |

No Brasil, esse movimento se traduziu também em uma alta expressiva do dólar.

Apesar de um leilão promovido pelo Banco Central (BC), a moeda americana subiu quase 4% e fechou cotada por R$ 2,201. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) perdeu 3,77%, mas, no pior momento do dia, chegou a recuar 6,3%. A queda nos últimos dois pregões é de 9,7% e, no ano, de 43,1%. Em Nova York, o Índice Dow Jones se desvalorizou 4,85% e a bolsa eletrônica Nasdaq, 4,34%.

Os investidores reagiram principalmente à decisão do Banco da Inglaterra (BoE) de cortar em 1,5 ponto porcentual, para 3% ao ano, a taxa básica de juros. "Já se sabia que a economia global enfrentará uma recessão, mas a ação do banco central inglês inspira uma preocupação ainda maior", explicou o economista-chefe da GAP Asset Management, Alexandre Maia. "A recessão pode ter um caráter ainda mais severo."

Outro fator que pressionou os investidores foi o relatório do mercado de trabalho dos Estados Unidos relativo a outubro, que será divulgado hoje de manhã. A expectativa mais freqüente (mediana) dos analistas é de que 200 mil vagas tenham sido cortadas. Para a taxa de desemprego, a estimativa é de que suba de 6,1% para 6,3%.

O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, ponderou que o governo Obama provavelmente terá de adotar uma política fiscal expansionista, pois não há mais o que fazer em termos de política monetária. A taxa básica de juros no país está em 1% ao ano. Em termos reais, ou seja, descontada a inflação, já está negativa. "Só um grande programa fiscal pode restaurar o bom humor", disse.

Mesmo assim, Rosa reconheceu que o mercado tem operado sem muita lógica nos últimos tempos. "Todo mundo já sabe que a economia (global) está se deteriorando", afirmou. Uma das razões para o intenso vaivém, explicou, é a necessidade de alguns agentes econômicos de assumir apenas posições de curto prazo, em razão da volatilidade. "Posicionar-se no longo prazo, hoje, exige um prêmio muito alto, que ninguém está disposto a pagar", disse.

Maia explicou que a piora de percepção sobre a economia mundial alterou a expectativa para o dólar. "Ainda não se sabe qual será a taxa de câmbio de equilíbrio, mas é certo que será bem mais alta do que se imaginava um mês atrás."Isso se deve a dois fatores: redução das receitas com as exportações de commodities (cujos preços vêm despencando) e maior aversão ao risco, que deve reduzir o fluxo de capitais para o Brasil.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG