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De olho em 2010, PT vê #145;risco político #146;

Preocupados com o fortalecimento do governador José Serra, pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, em 2010, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva disseram a ele que a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil pode representar risco político para o projeto de poder do PT. Em reunião da coordenação política do governo, na quarta-feira, Lula foi alertado para o perigo de engordar o caixa de São Paulo no ano que vem e em 2010.

Agência Estado |

O presidente, porém, não deu ouvidos aos ministros.

"Não podemos apequenar essas questões", afirmou Lula. "Se eu for pensar nas eleições de 2010, não libero dinheiro para mais ninguém." O comentário foi feito algumas horas depois do fechamento do negócio com o governador paulista, em reunião no Planalto.

Em São Paulo, Serra minimizou esses desdobramentos. Afirmou que as relações do governo paulista com a administração Lula "têm sido normais, sem conflito" e que a venda foi boa para os dois lados. Ele disse que a decisão de vender se baseou na troca de natureza do capital: vender a Nossa Caixa para fazer investimentos. Serra disse ainda que a decisão não envolveu argumentos políticos.

Lula disse aos auxiliares que não vai tratar de questões administrativas com a caneta apontada para 2010. Não foi a primeira vez que usou esse argumento: na prática, ele repete o raciocínio quase como um mantra toda vez que é acusado pela oposição de liberar recursos para aliados, de olho nas eleições.

Petistas lembraram ao presidente que, com o cofre abarrotado por causa da venda da Nossa Caixa, Serra pode apresentar um pacote de obras vistosas para alavancar sua candidatura ao Planalto. Mas Lula acha que o negócio foi fundamental para os planos de crescimento do BB. Avaliou-se, na reunião da cúpula do governo, que a compra da Nossa Caixa dará ao BB mais presença no mercado paulista. Hoje, a instituição ocupa um modesto quarto lugar no Estado, atrás de Itaú-Unibanco, Bradesco e Santander.

O presidente ignorou até mesmo argumentos de antigos companheiros petistas. Contrários à aquisição do banco, eles alegaram que a prioridade do governo deveria ser o combate à crise. "Já está tudo autorizado", informou Lula. "Agora, só falta ao Banco do Brasil e à Nossa Caixa fazerem as contas."

A compra da Nossa Caixa está sendo chamada na Esplanada dos Ministérios de "crediário Serra", em 18 prestações iguais de R$ 299,24 milhões, corrigidos pela variação da Selic.

O pagamento em 18 meses - ainda dentro do mandato do governador - favorece os planos de Serra de ampliar os investimentos e mostrar o seu próprio "PAC" em contraponto ao de Lula e sua candidata, Dilma Rousseff. Mais: interlocutores do governo arriscam o comentário que Serra, numa aproximação com o Planalto, estaria roubando o discurso "pós-Lula", lançado pelo governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também candidato à sucessão.

Segundo fontes do governo, Lula teve de ser pragmático. Sem a Nossa Caixa, o BB não teria chances de recuperar a liderança do mercado bancário brasileiro até o final do mandato. "Lula não quer ficar com a marca do presidente que deixou o BB perder a posição de número 1", disse uma fonte da equipe econômica.

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