DAVOS - Executivos e lideres políticos nunca advertiram tanto contra o protecionismo como desta vez no Fórum Econômico Mundial, argumentando que levantar barreiras ao comércio aumentará a pior recessão mundial em 60 anos. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, foi um dos mais enfáticos ao reclamar que não eram apenas exemplos isolados que apareciam, mas também medidas em todas as regiões que representam uma forma de ideologia de nacionalismo econômico . Mas autoridades e empresários diziam informalmente que o discurso é outro quando estão em seus países, com exame de propostas para proteger seus produtores domésticos diante da crise mundial. O encontro de Davos, que terminou no final de semana, foi o palco para ameaças e queixas visando principalmente a tentativa de congressistas americanos de incluir provisões do buy American no pacote de estimulo fiscal em preparação pelo governo Obama.

Essas provisões vinculam a ajuda do governo à obrigação de as empresas usarem produtos, matérias-primas e insumos americanos.

No entanto, boa parte de autoridades ouvidas notou ao mesmo tempo que o importante é que a economia americana, motor da economia global, se recupere logo. E quando a indústria automotiva americana voltar a produzir mais, certamente haverá retomada de importações de aço procedentes do Brasil, por exemplo.

Com relação a negociação global para liberalização comercial, conhecida como Rodada Doha, o mínimo que se pode dizer é que continuará congelada. Cerca de 16 ministros se reuniram, cada um fez intervenção de três minutos e divulgaram um comunicado prometendo se esforçar para concluir a rodada, mas foi só isso mesmo. Não há acordo sobre nada.

Na verdade, surgiram sinais de que a rodada pode ser ainda mais envenenada. O ex-presidente do comitê nacional do Partido Democrata, Howard Dean, advertiu que será " muito difícil concluir Doha a menos que haja progressos nos padrões trabalhista e ambiental " .

Os ministros de países em desenvolvimento presentes ao debate reagiram, alertando que reabrir a agenda de Doha só causaria mais confronto. " Se os EUA querem fazer algo positivo para o meio-ambiente, que elimine as tarifas sobre o etanol " , afirmou Amorim. A plateia aplaudiu.

(Assis Moreira | Valor Econômico)

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