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Davos quer frear #145;ganância mundial #146;

Depois de anos promovendo o livre mercado e com a participação de alguns dos atores envolvidos na quebra das finanças internacionais, o Fórum Econômico de Davos realiza seu evento anual a partir da semana que vem em meio à maior crise dos últimos 60 anos e vendo seus próprios dogmas questionados. Hoje, Davos admite em tom afinado com o do novo presidente americano Barack Obama: a ganância pode minar o sistema capitalista.

Agência Estado |

A direção do evento chega a fazer mea-culpa. Entre os diretores do Fórum, a percepção é de que talvez o mundo não tenha dado atenção suficiente aos alertas de que o sistema poderia entrar em colapso.

Entre os dias 28 de janeiro e 1 de fevereiro, a 39ª edição do evento ocorre na estação de esqui, na Suíça, com o desafio de "redesenhar o mundo pós-crise". Toda a agenda do evento será baseada nesse esforço e Davos quer se transformar em base de apoio para os trabalhos do G-20 (grupo dos 8 países mais ricos do mundo e 12 emergentes) de recriar o sistema financeiro internacional.

O Fórum adverte que até agora não está claro se as medidas adotadas terão o impacto desejado. Segundo a entidade, o mundo já gastou cerca de US$ 1 trilhão para salvar os bancos. Mas as bolsas de valores já tiveram perdas 30 vezes maiores.

A crise também obrigou Davos a se olhar no espelho. Os principais dogmas defendidos nos eventos são questionados e até acusados de terem levado à crise. "Os alertas foram dados. Mas todos nós, coletivamente, não demos atenção suficiente. Era conveniente, politicamente, achar que o mundo poderia continuar crescendo de forma insustentável e que tudo continuaria igual", admite o fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab. "Todos somos responsáveis."

O sistema deve passar por uma revisão. "O que queremos é uma reforma do capitalismo. Temos de trazer de volta valores que foram perdidos. Trata-se de uma crise que irá transformar o mundo", disse ontem.

Reduzir a ganância e remunerar de forma mais adequada empresários e banqueiros seriam algumas mudanças. "O sistema precisa ser menos ganancioso e mais profissional", diz Schwab um dia depois que o presidente americano, Barack Obama pediu, nos Estados Unidos, uma reavaliação sobre a questão. "Nossa economia está extremamente enfraquecida. Uma consequência da ganância e irresponsabilidade por parte de alguns", pronunciou em seu discurso de posse.

Para Schwab, o colapso financeiro expôs uma crise de valores e de ética. "Precisamos fazer uma diferenciação entre empresas que geram valor e aquelas que apenas ganham fazendo transações. Lucros não podem vir a qualquer custo."
As base de um novo capitalismo devem ser estabelecidas em torno de novas regras e mais regulação, em um ponto de vista novamente alinhado ao que o presidente americano expôs ontem em seu discurso de posse: "Não está em questão para nós, tampouco, se o mercado é uma força do bem ou do mal. Seu poder de criar riqueza e expandir a liberdade é inquestionável, mas sua crise nos lembrou de que, sem um olhar vigilante, o mercado pode fugir de controle - e uma nação não pode prosperar por muito tempo quando favorece somente os prósperos."

Oficialmente, porém, Schwab nega que Davos tenha promovido ideias que levaram ao colapso do sistema. "Não promovemos ideias ou dogmas. Algumas pessoas que foram convidadas é que trataram desses pontos. Sempre defendemos o uso de regras mundiais. O problema não é o capitalismo. Mas temos de ter um livre mercado que sirva à sociedade", disse.

Schwab quer que o evento na semana que vem se transforme em um esforço de empresas, bancos, governos e sociedade civil para fazer propostas de como redesenhar a arquitetura financeira mundial. As propostas seriam levadas ao G-20, grupo que se reuniu em novembro para repensar o sistema internacional.

Um novo evento está marcado para abril, em Londres. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, também estará em Davos. "Queremos garantir que todos os atores tenham suas opiniões ouvidas antes do encontro do G-20 de abril."

Em Davos, ministros de Finanças e presidentes de Bancos Centrais de mais de 40 países também estarão presentes. "A comunidade financeira pode ter sido parte do problema. Mas ela também será parte da solução", disse Schwab. "Precisamos discutir não apenas como sair da crise, mas como será o mundo depois."
Barack Obama não participará do evento, mas alguns de seus principais representantes devem apresentar novos pontos da política americana. Na área econômica, Larry Summers, diretor do Conselho Econômico Nacional, será um deles. No campo militar, James Jones, conselheiro de defesa, falará sobre o futuro do Oriente Médio.

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