A DASA, dona de laboratórios médicos como o Delboni Auriemo, escapou por pouco de um prejuízo milionário com derivativos de câmbio. Um funcionário da empresa chegou a acertar um contrato, mas os sócios pressionaram o banco para cancelar a operação.

Caso tivesse vingado, calcula-se que a DASA teria de pagar hoje US$ 300 milhões para anular as apostas. O potencial de perdas seria de US$ 2 bilhões (cinco vezes mais que o faturamento de 2007).

O destino da DASA foi decidido em dois dias. Em meados de maio, os sócios da empresa fizeram uma viagem à Europa e aos EUA, acompanhados por executivos dos bancos Credit Suisse (CS) e Merrill Lynch. Eles apresentaram os planos da empresa a investidores e conseguiram empréstimos de US$ 250 milhões. Como essas dívidas vencem em dez anos, a DASA encomendou aos bancos um seguro financeiro (hedge) para que o valor dos juros não variasse com o dólar.

Enquanto os sócios ainda estavam nos EUA, funcionários do Credit Suisse e da DASA acertaram detalhes do produto por telefone, no Brasil, numa quarta-feira à tarde. Quando os sócios chegaram ao Brasil, na quinta-feira, perceberam que o produto não era o que esperavam. O contrato trazia ganhos financeiros para a DASA, mas um risco em contrapartida - se o dólar subisse muito, a DASA teria de fazer pagamentos milionários. Como o produto era muito complexo, um dos sócios da DASA, o fundo de investimentos Scopus, foi encarregado de fazer as contas do potencial de risco.

No mesmo dia, o Scopus recomendou que se cancelasse o acerto, mas o CS alegou que a conversa estava gravada e não havia como voltar atrás. Na manhã de sexta-feira, a DASA jogou todo o peso da empresa nas negociações. O então presidente da DASA, Marcelo Moreira, e os sócios Caio Auriemo e Alexandre Saigh, representante da Patria Investimentos, foram ao banco. Depois de muita discussão, o presidente do CS, Antonio Quintella, anulou o acerto, o que levou o Merrill Lynch a também desistir da operação.

Ao final, não só a DASA escapou do prejuízo, como ganhou dinheiro com o câmbio. Em maio, os US$ 250 milhões valiam R$ 400 milhões. Como os dólares ainda não foram trazidos para o Brasil, hoje valem R$ 600 milhões, segundo o câmbio de ontem. Procurado pelo Estado, o Credit Suisse disse que é proibido de comentar assuntos de clientes. A DASA apenas confirmou que teve uma operação cancelada com o banco. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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