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Dantas aposta no adiamento da conclusão do inquérito

SÃO PAULO - A defesa do banqueiro Daniel Dantas apostou ontem na estratégia de adiar o julgamento do seu cliente no que se refere às acusações de tentativa de suborno de policiais para evitar que fosse alvo da Operação Satiagraha. Após quase duas horas de audiência para apresentação de alegações finais, o advogado de Dantas, Nélio Machado, requisitou ao juiz Fausto de Sanctis um novo interrogatório do delegado Protógenes Queiroz, que conduziu as investigações, e o depoimento do diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, que está afastado. Machado também pediu que seja anexada ao processo a gravação da reunião na superintendência da Polícia Federal em São Paulo que decidiu pelo afastamento do delegado Protógenes do comando da Operação Satiagraha. Para ele, o conteúdo da reunião influencia diretamente no desenrolar do processo contra seu cliente.

Valor Online |

Ele quer ainda acesso aos autos do inquérito que investiga supostos excessos de Protógenes durante a operação. O pedido foi negado na terça-feira pelo juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal, onde tramita o processo.

" Insisto no depoimento do doutor Protógenes e do doutor Paulo diante de tudo que veio à tona posteriormente " , afirmou Machado, referindo-se à crise envolvendo a PF e a Abin após a deflagração da operação.

Com os novos pedidos da defesa, a conclusão do processo, que terminaria com as alegações finais dos réus nesta quarta, foi protelado. O juiz ainda não decidiu se vai aceitar o pedido da defesa do banqueiro. Caso não aceite, terá dez dias para dar sua sentença sobre o caso. No entanto, apenas o fato de o juiz não ter indeferido o pedido de imediato já agradou Machado. " Hoje eu saio com um mínimo de esperança, no sentido de que possa ocorrer um julgamento justo. O juiz, em vez de agir de forma precipitada, pediu tempo (para analisar o requerimento) " , declarou.

O magistrado recebeu também as alegações finais do ex-presidente da Brasil Telecom Humberto Braz e do professor universitário Hugo Chicaroni, apontados pelo Ministério Público Federal como interlocutores de Dantas com os policiais na tentativa de suborno.

Para o procurador da República Rodrigo De Grandis, responsável pela denúncia contra Dantas, Chicaroni e Braz, não há necessidade de a gravação ser anexada ao processo. " A acusação é de corrupção ativa. Não existe nenhuma menção a funcionário da Abin " , disse.

De Grandis disse que o Ministério Público deu elementos em sua denúncia para que o juiz De Sanctis dê uma pena bem maior que a mínima para o crime, dizendo que pode chegar a 12 anos de prisão. " Mas a pena fica a critério do juiz. "
O procurador afirmou ainda que o novo inquérito produzido pela Polícia Federal e Ministério Público deve levar a uma nova denúncia, desta vez por lavagem de dinheiro e crimes financeiros. " Existe um novo inquérito policial, conduzido pelo Ministério Público junto à Polícia Federal, em que há indícios de lavagem de dinheiro " , disse. " Temos certeza que haverá uma denúncia por lavagem de dinheiro e crimes financeiros " , reiterou.

Autor de reclamação contra o juiz, o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) esteve, ontem, no Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar ao presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, cópia da gravação da reunião em que a Polícia Federal decidiu pelo afastamento do delegado Protógenes Queiroz da Operação Satiagraha. Jungmann afirmou que não está perseguindo o delegado nem o juiz. Ele contestou a realização de interceptações telefônicas em pessoas que não estavam sob investigação. " Para combater Daniel Dantas, não se pode autorizar que 100 milhões de brasileiros possam ter ser grampeados " , disse.

(Caio Junqueira | Valor Econômico. Colaborou Juliano Basile, de Brasília)

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