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O artista britânico Damien Hirst, que provocou polêmica com seus tubarões embalsamados em formol, gerou um novo frisson no mundo da arte ao mudar suas regras e entregar pela primeira vez centenas de suas obras a uma casa de leilões, alvoroçando as galerias.

O leilão de 223 obras de Hirst, nos dias 15 e 16 de setembro na casa Sotheby's de Londres - que deverá arrecadar mais de 100 milhões de dólares -, marca a primeira vez que um artista entrega sua obra diretamente a uma casa de leilões, ressaltaram os especialistas de arte.

Hirst, um dos artistas mais caros de todos os tempos, "está reescrevendo a história da arte", frisou o crítico de arte do jornal Daily Telegraph, ao destacar que o criador britânico de 43 anos havia negociado diretamente com a Sotheby's o leilão de 223 obras, que foram apresentadas na segunda-feira à imprensa.

A iniciativa de Hirst foi classificada de "histórica" pela Sotheby's, e levou a revista Time a colocá-lo em sua capa, o que não fez nem com Andy Warhol, o grande malabarista do mercado da arte.

A Sotheby's confirmou que desde a sua fundação, em março de 1744 - quando um tal Samuel Baker leiloou uma coleção de livros antigos em seu gabinete de Londres - jamais havia vendido obras recentes de um artista vivo diretamente ao público.

"Há muito dinheiro no mercado da arte, mas os artistas não o recebem. Todo mundo ganha muito dinheiro, menos os artistas", queixa-se Hirst, que em 2007 pôs à venda na galeria londrina White Cube, uma caveira de platina com 8.601 diamantes incrustados, por 100 milhões de dólares.

Intitulada "Beautiful inside my head forever" ("Belo dentro de minha cabeça para sempre"), o leilão de obras dessa figura emblemática da arte conceitual não é só uma venda, sim uma mostra de seu último trabalho.

Classificada de "assombrosa" por Cheyenne Westephal, que dirige o departamento de arte contemporânea da Sotheby's, a estrela da coleção de Hirst - que explicou que o tema fundamental de seu trabalho é a mortalidade - é um bezerro com chifres e cascos em ouro 18 quilates.

Intitulado "The Golden Calf" (O Bezerro de Ouro), o animal é estimado em 14,6 milhões a 24 milhões de dólares.

Além de uma zebra batizada "The Incredible Journey" ("A viagem incrível"), um unicórnio intitulado "The Dream" ("O sonho") e um tubarão em formol estimado em 10 milhões de dólares, o leilão inclui quadros fabricados com asas de borboletas, farmácias com pílulas de todas as cores e várias caveiras.

Parte do dinheiro arrecadado com a venda será destinado a algumas instituições de caridade escolhidas por Hirst, entre elas a Survival International, que defende a causa das tribos indígenas, a Strummerville, criada em memória de Joe Strummer, que foi músico do The Clash, e para a fundação Melinda e Bill Gates, fundador da Microsoft.

E o restante do dinheiro irá para os bolsos do artista, que contou com mais de 200 colaboradores.

ame/dm