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Da ginástica à selva, vale tudo nos cursos para executivos

Basta ir a uma livraria ou pesquisar na internet. A oferta de produtos e serviços voltados à formação executiva nunca foi tão grande: cursos, palestras, eventos, livros - só na Livraria Cultura, uma busca online por livros sobre gestão mostra 500 títulos e avisa que há mais, porém a busca deve ser mais refinada.

Agência Estado |

No meio dessa variedade, o desafio é separar o essencial do curioso, o útil da balela. "Há muita coisa séria, mas também muita bobagem", diz o vice-presidente de desenvolvimento organizacional da Natura, Marcelo Cardoso, também ex-presidente da consultoria DBM. "Um programa bom é aquele que chacoalha seus modelos mentais e o faz questionar coisas que até então eram certezas."

A Faap está realizando um desses cursos com uma proposta inusitada: ensinar estratégia militar aos executivos. O curso "Estratégia Militar para Empresários" inclui aulas de estratégia, análise e previsão de cenários, geopolítica e uma viagem a instalações militares brasileiras na Amazônia. "Não vamos ensinar um executivo a guerrear", diz o general Antonio Luiz Burgos, coordenador do curso. "Mas existem ferramentas usadas nas Forças Armadas que podem ser úteis no mundo corporativo, quando analisamos o mercado como um campo de guerra. A viagem mostra, na prática, como funcionam essas ferramentas."

O advogado Roberto Ferreira, um dos alunos do curso, diz que se interessou pelo programa pelo foco no estudo de estratégia. "Nenhum empresário vai agir como militar, mas o curso mudou meu referencial de busca de informações, análise de cenário e trabalho coletivo."

O general Burgos diz que, realmente, a oferta de cursos para executivos é enorme. "A Faap não criou esse curso sem pesquisa. Vimos que havia uma necessidade de estrategistas no mercado, então a parceria com as Forças Armadas foi uma maneira de suprir essa demanda."

"Formação exige disciplina", diz o sócio-diretor da Arc Talent Recruiting, Francisco Ramirez. Para ele, atividades mais curtas, como eventos e palestras, têm peso muito diferente para o executivo em relação à educação continuada formal. "O nível de retenção é baixo. Porém, conhecer as personalidades que ministram esses eventos e as pessoas que os frequentam para networking é sempre válido. Embora esteja mais perto da auto-ajuda do que da educação executiva, ouvir sobre a experiência dos outros é bom como analogia."

A ex-coordenadora de ginástica rítmica da Confederação Brasileira de Ginástica, Marta Schonhorst, diz que evita fazer comparações diretas em seu livro Diário de construção de um time, lançado este mês e voltado para o público empresarial. "Imaginei que fosse receber alguma reação do público, por questionarem o que ginástica tem a ver com negócios. Não há relação direta, mas há desafios semelhantes, como competição e a busca do melhor rendimento de cada um na equipe", diz ela, que representou o Brasil como atleta nas Olimpíadas de Barcelona (1992). "No esporte, conhecer cada atleta e o que ele faz melhor é um dos maiores desafios. Em uma equipe corporativa, essa divisão de tarefas também é um desafio para o gestor. Apresentado com o viés do esporte, fica mais fácil de ser assimilado pelos empresários."

Estratégia semelhante é utilizada pela Orquestra Filarmônica Nacional, com o programa Sinfonia Empresarial. A idéia é associar o cotidiano empresarial com música clássica: conceitos como liderança e trabalho em equipe são exemplificados com obras de Strauss e Ravel. A orquestra já fez 400 apresentações em empresas.

Cardoso afirma que as metáforas são uma boa forma de gerir. "Por isso, ouvir experiências de pessoas de outras áreas é válido e inspirador. Mas o executivo nunca pode se contentar com fórmulas fáceis, e caso ele não aplique e pesquise sobre aquilo que aprendeu, todo o conhecimento se perde."

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