O dólar comercial abriu em alta as negociações de hoje no mercado interbancário de câmbio, subindo 0,73% nos primeiros contratos fechados, cotado a R$ 1,789. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar iniciou o pregão com avanço de 0,50%, a R$ 1,788.

O dólar comercial abriu em alta as negociações de hoje no mercado interbancário de câmbio, subindo 0,73% nos primeiros contratos fechados, cotado a R$ 1,789. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar iniciou o pregão com avanço de 0,50%, a R$ 1,788. A lógica do dia é mesmo de dólar ganhar valor ante o real. Mas a trajetória do mercado doméstico de câmbio nem sempre tem seguido os fundamentos e, assim, os operadores arriscam essa projeção apenas para a abertura. <p><p>E são os derivativos, mais do que nunca,que têm determinado o rumo do câmbio nos últimos pregões, segundo operadores. Na terça-feira, por exemplo, as movimentações de volume e cotações sugeriam uma grande entrada de recursos. Mas a avaliação, agora, é de que parte das transações do mercado à vista visavam o acerto de preço conveniente a posições assumidas nos derivativos. Um dos rumores é de que, naquele dia, uma única instituição teria montado posição comprada (aposta de alta da moeda) em real de US$ 1 bilhão. E o dólar cravou a sexta queda consecutiva, parando em R$ 1,754. <p><p>Outro rumor é uma eventual presença do Tesouro na ponta de compra. Essa foi a possibilidade levantada para explicar a alta de 1,25% do dólar à vista, ontem, para 1,776. "Mas o fato é que o Tesouro compra dólares há oito anos e ninguém percebe, pois atua por meio do Banco do Brasil", diz um profissional, admitindo, no entanto, que a capacidade de compras foi amplamente aumentada recentemente, com a ampliação no prazo de antecipação de aquisições para o cumprimento de compromissos internacionais e a autorização para atuação em nome do Fundo Soberano do Brasil.<p><p>Um terceiro fator que está desconcertando os analistas é o descompasso entre as captações anunciadas e os dados do fluxo cambial. Segundo cálculos de uma corretora, em março, foram captados mais de US$ 3 bilhões no exterior, somente em bônus. E o fluxo financeiro do mês ficou negativo em US$ 280 milhões, contrariando as expectativas. "Deve ter ocorrido alguma remessa grande", tenta explicar um analista. Este mês, decorrente de operações de emissões de bônus já concluídas, as entradas somam US$ 1,550 bilhão, segundo a mesma corretora. Há outras em curso.<p><p>Assim, se temem derrubar o dólar para baixo de R$ 1,75, esperando intervenções mais pesadas do Tesouro ou do BC, como pareceu ontem, os investidores também não esperam que as cotações subam muito além do nível atual, na expectativa de que haja entrada de dólares. E, por isso, as apostas para a trajetória das cotações não vão além da abertura. Para o resto do dia, "é esperar para ver", monitorando o cenário externo, o fluxo e o comportamento dos derivativos.
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