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Cyrela desiste de compra e ações da Agra caem 81%

No dia mais crítico do ano para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), as ações da incorporadora Agra despencaram 81,21% - a maior queda registrada ontem. As perdas foram motivadas pelo anúncio da desistência de um acordo de compra da Agra pela incorporadora Cyrela, em fato relevante divulgado na manhã de ontem, antes da abertura dos mercados.

Agência Estado |

E o mau humor dos investidores que se abateu sobre as bolsas mundiais e a Bovespa ontem acelerou o ritmo de queda das ações da Agra, segundo analistas. A Cyrela, por sua vez, fechou o dia em alta de 2,35%.

O setor imobiliário é um dos que mais têm sofrido no País com a crise financeira global. Houve nos últimos anos um grande movimento de abertura de capital por parte dessas empresa, com participação em massa do capital estrangeiro, que agora foge. A expectativa do mercado era para um movimento de consolidação, que de fato já deu sinais de que iria mesmo acontecer - a Gafisa comprou a Tenda, a Brascan comprou a Company. O fim do acordo entre Cyrela e Agra é o primeiro revés nesse movimento.

Os diretores de relações com investidores (RI) das duas empresas negam que a turbulência financeira tenha contribuído para que o negócio fracassasse. "A crise teve peso zero na decisão", disse Luís Largman, diretor de RI da Cyrela. O que houve, segundo ele, foram "incompatibilidades entre as duas empresas" - de sócios, parceiros e cobertura geográfica.

No entanto, a única parte do acordo que será desfeita é a troca de ações. A Cyrela, que já é detentora de 19% da Agra, continua firme na compra de terrenos da Agra, além de Sociedades de Propriedades Específicas (SPE), num contrato de R$ 120 milhões. "Continuamos sendo o maior sócio da Agra. Gostamos muito da empresa", disse.

Mas o executivo preferiu não comentar a queda abrupta do valor das ações da parceira após o anúncio. "Acho melhor deixar para o mercado responder. Temos certeza de que a empresa que encerrou o expediente na sexta-feira é a mesma de segunda-feira."

A justificativa dada ao mercado, no entanto, não foi considerada clara pelos analistas. Tanto que muitos preferiram não se manifestar sobre a operação, por considerarem as informações pouco transparentes. Para o economista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira, certamente a turbulência potencializou os efeitos do anúncio. "O que o mercado pode ter entendido é que a Agra ficou com a parte ruim no negócio, e resolveu detonar o papel."

Já o diretor de RI da Agra, Ricardo Setton, diz que o movimento de queda dos papéis era previsível. "Era natural e esperado que a Agra fosse a ação que iria cair", disse. O que não se imaginava eram perdas tão abruptas. Isso, sim, ele atribui à turbulência. "Por coincidência, a gente pegou um dia muito ruim. Dizem que a cada década acontece uma segunda-feira negra. Mas estamos vendo isso toda semana."

Mesmo sabendo das complicações vividas pelos bancos europeus, que afetaram a abertura das bolsas asiáticas à noite (horário do Brasil), o anúncio do fim do acordo não pôde ser adiado, por causa das regras da Comissão de Valores Mobiliários. "Eu não podia ter fugido da segunda-feira. Estou cumprindo exigências legais", disse Setton. "Tão logo a gente conheça um fato, a gente assine, tem de anunciar. Assinamos o documento ontem (domingo) à noite."

Segundo Setton, o que mudou na estratégia da empresa com a crise foi a decisão de reforçar o caixa com os R$ 200 milhões da Cyrela, que devem ajudar a empresa a honrar seus compromissos até 2010. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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