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CVM já identificou algumas empresas que terão de republicar balanços

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda não concluiu o pente-fino no balanço das companhias referente ao terceiro trimestre. Mas, a presidente da autarquia, Maria Helena Santana, adiantou à Agência Estado, que o órgão já identificou empresas que terão de republicar suas notas explicativas para atender às exigências de maior transparência na divulgação das exposições com derivativos.

Agência Estado |

"Faremos isso em alguns casos embora não sejam muitos", disse.

Com o objetivo de tranqüilizar o mercado, Maria Helena afirmou que foram poucas as empresas que trouxeram notas explicativas tão insuficientes a ponto de a CVM ter de mandá-las fazer novamente. "Optamos agora por adotar uma postura mais educativa, por isso, só decidiremos pela republicação diante de uma falha muito fundamental", disse.

As perdas expressivas registradas pela Sadia e a Aracruz em operações com derivativos com a disparada do dólar em setembro levou a CVM a exigir, no balanço do terceiro trimestre, informações mais abrangentes e detalhadas em notas explicativas sobre os instrumentos financeiros derivativos utilizados pelas empresas.

Atualmente, a CVM faz um estudo sobre a qualidade das informações prestadas para verificar se as normas foram cumpridas. O levantamento foi feito por amostragem, que utilizou como critério para escolha o potencial de impacto de cada empresa no mercado de capitais brasileiro. Os balanços das companhias selecionadas estão sendo analisados detalhadamente pela área técnica do órgão.

Após a conclusão do mapeamento, a intenção da CVM é divulgar um balanço sobre a situação. A presidente adianta ainda que para falhas consideradas menos sérias, que não prejudiquem a qualidade da informação prestada ao acionista, a autarquia irá mandar "cartas de alerta", orientando como proceder nos próximos demonstrativos para corrigir os problemas já detectados.

Segundo ela, o mecanismo da carta de alerta foi regulamentado recentemente e permite que se aponte o problema para a empresa sem a necessidade da abertura imediata de um processo administrativo. "A carta de alerta fica anotada nos registros dos nossos relacionamentos com a companhia para ser levada em conta no futuro", disse.

Maria Helena afirmou também que o colegiado da CVM deve aprovar amanhã a permanência do quadro de sensibilidade, que passou a ser exigido a partir do terceiro trimestre deste ano. Com esse mecanismo, a autarquia determinou a divulgação de análises de sensibilidade de suas posições em instrumentos derivativos em relação a três cenários que são especificados, fornecendo assim aos seus acionistas e ao mercado referenciais concretos para a avaliação do risco trazido pelas posições assumidas pela companhia.

A questão estava em audiência pública e retornou agora para aprovação no colegiado da CVM. "Se argumentos fortes não tiverem aparecidos (na audiência pública), sem dúvida, a nossa tendência é manter isso como obrigatório. Esse trimestre foi por recomendação", disse.

Ela admitiu que as perdas com derivativas registradas pelas companhias com a disparada do dólar foi "surpreendente." E complementou: "A virada do câmbio foi muito repentina e muita intensa. Foi isso que fez contratos que eram vistos como úteis por várias companhias se transformassem em uma verdadeira bomba."

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