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A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vai apurar uma suspeita de uso de informações privilegiadas com as ações da Sadia, em negociações feitas antes da divulgação do fato relevante do dia 25 de setembro, que informou ao mercado sobre as perdas da empresa com operações de derivativos cambiais. O processo foi encaminhado à gerência de acompanhamento de mercado da autarquia.

A CVM informou que essa verificação não pode ser considerada ainda uma abertura de inquérito. No documento, que está no site do órgão, não consta quem solicitou sua abertura.

De acordo com a autarquia, a ausência de um requerente no processo, aberto no dia 10 deste mês, não significa necessariamente que a iniciativa de investigação tenha partido da CVM. "Trata-se da análise tradicional que a autarquia faz em casos como esse. Ainda em estágio preliminar, não há definição sobre inquéritos. A CVM está apenas analisando", informou o órgão, por meio de um comunicado. Procurada, a Sadia não comentou o assunto.

A Sadia já foi envolvida anteriormente em um caso de uso de informação privilegiada. Romano Ancelmo Fontana Filho e Luiz Gonzaga Murat Júnior, sócio e ex-executivo da Sadia, respectivamente, foram acusados de uso de informação privilegiada enquanto a empresa preparava uma oferta pública de compra da rival Perdigão. No início deste ano, a CVM aplicou aos dois acusados a pena de inabilitação temporária por cinco anos para o exercício dos cargos de administrador ou conselheiro fiscal de companhia aberta.

A empresa também enfrenta uma nova ação nos EUA pelas perdas com derivativos. É o quarto processo aberto por acionistas minoritários daquele país. A alegação é que a empresa descumpriu as normas do mercado de capitais norte-americano com essas operações.