O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique da Silva Santos, informou hoje que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse em reunião com as centrais sindicais, que vai anunciar, nos próximos dias, mudanças no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). Segundo Arthur Henrique, Mantega disse que as medidas ainda precisam do aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em relação a essas medidas, o sindicalista disse que as centrais saíram frustradas do encontro, que terminou esta tarde, porque esperavam uma decisão sobre o IRPF ainda hoje. Ele disse que o ministro não apresentou detalhes das mudanças que poderão ser adotadas.

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, acredita que o governo já tenha as medidas prontas, mas afirmou que de concreto, o que foi apresentado aos trabalhadores foi um almoço. "Saímos com a cabeça meio inchada porque não tivemos nenhum compromisso específico do ministro", afirmou. Paulinho disse ter a impressão de que só falta bater o martelo com o presidente Lula para que se promova uma correção na tabela do Imposto de Renda.

O governo, segundo Arthur Henrique, se comprometeu com o reajuste da tabela do IRPF em 4,5%, mas as centrais sindicais querem no mínimo uma correção pela inflação. As centrais também reivindicam mudanças nas alíquotas do imposto e pedem 10% de correção, ou pelo menos a reposição da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ao redor de 7%.

Custo financeiro

Arthur Henrique informou ainda que o ministro disse que anunciará, também nos próximos dias, medidas para diminuir o custo financeiro. Segundo o sindicalista, as centrais manifestaram ao ministro a preocupação com a necessidade de redução dos juros. Foi aí, então, segundo ele, que Mantega disse que tomaria medidas para reduzir o custo financeiro, sem, no entanto, entrar em detalhes.

Paulinho afirmou que o ministro da Fazenda disse que pretende utilizar os bancos públicos para reduzir mais fortemente as taxas de juros cobradas dos consumidores, forçando uma concorrência maior.

O presidente da CUT disse que "não dá para o BB forçar a competição com taxas de mercado". "Isso é um consenso entre nós e o ministro. Só não é com o BB", afirmou.

Emprego

Segundo os sindicalistas, Mantega também se comprometeu a conversar com empresários para discutir com câmaras setoriais a contrapartida de emprego para empresas que receberem incentivos do governo, daqueles setores mais atingidos pela crise.

O presidente da CUT também defendeu que o governo, em todas as medidas que impliquem investimentos de recursos públicos nos setores com dificuldades, vincule essa ajuda à manutenção dos empregos. "Se os empresários estão sendo beneficiados por políticas públicas, eles têm de se comprometer a não demitir", disse. "A ação do governo está sendo insuficiente, elas vão na direção correta, mas falta a garantia de emprego", acrescentou. O dirigente rechaçou propostas de alguns empresários, como a suspensão temporária de contribuição ao FGTS. "Isso é ridículo. Absurdo", disse.

Se o governo reduzir temporariamente a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis, o dirigente e membro da executiva da CUT José Lopez Feijóo disse que será preciso assinar um compromisso com todas as empresas da cadeia produtiva do setor automobilístico para garantir a manutenção do emprego e redução dos preços.

Juros

Paulinho cobrou uma redução na taxa básica de juros, a Selic, e disse que se o Banco Central não fizer isso hoje, em janeiro, a Força começará uma mobilização para "derrubar" o presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles. "Se o BC não baixar os juros, certamente demissões ocorrerão a partir de janeiro. Alguém tem que pagar por isso", argumentou.

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