SÃO PAULO - Durante um segundo trimestre em que registrou bom crescimento das receitas e aumento da base de clientes, a Vivo esbarrou nos custos dos serviços prestados e nas despesas comerciais em seu caminho para sair do vermelho. Entre abril e junho, a operadora registrou prejuízo líquido de R$ 59,5 milhões, uma redução de 8,6% em relação ao mesmo período de 2007, quando a perda ficou em R$ 65,1 milhões.

Os resultados, tanto de 2008 quanto de 2007, já contemplam os números da Telemig Celular, comprada pela Vivo e que teve as operações incorporadas no início do mês de abril.

E foi justamente o mercado de Minas Gerais um dos principais responsáveis pelo crescimento nas despesas comerciais da Vivo. As peças publicitárias voltadas ao público mineiro, bem como as campanhas do Dia das Mães e do Dia dos Namorados, puxaram a alta de 23,5% nos gastos da operadora com os chamados serviços de terceiros, linha que compõe o grupo de despesas comerciais da companhia, que avançaram 18,9%, para R$ 909,1 milhões.

Os desembolsos maiores, no entanto, surtiram certo efeito. Já combinada com a Telemig, a Vivo encerrou o segundo trimestre com 40,435 milhões de clientes, um crescimento de 19,7% sobre o mesmo período do ano passado. A companhia lidera o mercado nacional, com fatia de 30,4%.

Devido ao volume que ingressou na base, caiu o custo de captação dos novos clientes. Segundo a Vivo, cada cliente novo custou, em média, R$ 86 durante o segundo trimestre, uma queda de 17,3% sobre o mesmo intervalo de 2007. Os menores gastos com subsídios e a maior participação dos chamados SIM Cards, que têm menor custo, explicam a queda, de acordo com a empresa.

Porém, quando se fala em custo dos serviços prestados, a alta foi de 18%, para R$ 1 bilhão. A interconexão marcou a maior presença nesse movimento, com custos de R$ 553,7 milhões, salto de 25,8% sobre o segundo trimestre de 2007. O crescimento do tráfego sainte foi o responsável pelos gastos maiores, de acordo com relatório da operadora.

Diante desse cenário, a Vivo fechou o segundo trimestre com receita líquida de R$ 3,79 bilhões, uma alta de 12,9% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. Boa parte desse crescimento veio do segmento de dados, cuja receita avançou 52,7%, para R$ 352 milhões. Em conversa com analistas, o presidente da Vivo, Roberto Lima, informou que o acesso à internet pelo celular e o download de músicas puxaram o movimento.

Como resultado da relação entre receita, custos e despesas, a operadora atingiu R$ 879,3 milhões em geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de impostos, juros, amortizações e depreciações), um crescimento de 16% na comparação anual. A margem Ebitda, que na prática mede a produtividade operacional da empresa, mostrou discreta melhora de 0,6 ponto percentual, para 23,2%.

(Murillo Camarotto | Valor Online)

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