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Custo cresceu mais do que crédito, diz analista

O plano de safra anunciado ontem pelo governo foi considerado frustrante para atender às necessidades de crédito dos agricultores e insuficiente para atenuar os efeitos da inflação nos preços dos alimentos. Além disso, não apresentou medidas efetivas para desfazer os gargalos de infra-estrutura, como transporte rodoviário, portos e armazenagem, caso uma safra efetivamente maior venha a ser colhida, segundo avaliam especialistas.

Agência Estado |

Nas contas do sócio-diretor da Agroconsult, André Pessôa, o governo aumentou em apenas 12% o crédito para custeio da comercialização da safra da agricultura empresarial, de R$ 49,1 bilhões na safra de grãos 2007/2008 para R$ 55 bilhões na safra 2008/2009. Enquanto isso, os custos operacionais, que envolvem gastos com fertilizantes, sementes, defensivos, por exemplo, cresceram mais de 30% em relação à última safra.

"Na prática, o crédito diminuiu", diz Pessôa, justificando a afirmação com números. O plano prevê, por exemplo, ampliação de R$ 450 mil para R$ 500 mil para o limite de crédito por produtor. Usando os novos limites de crédito, um produtor de milho de Mato Grosso teria condições de plantar neste ano 312 hectares, ante 395 hectares no ano passado, calcula.

Levando em conta esse raciocínio, que considera o crédito frente aos aumentos de custos, a safra não será ampliada, especialmente nas regiões produtoras mais distantes do Centro-Oeste, onde os custos são maiores, prevê o economista.

Para Pessôa, as medidas anunciadas não passam de um "sofisma" para atenuar os efeitos da inflação. Ele explica que, exceto no caso da soja, o Brasil não se trata de formador de preços de grãos no mercado internacional. A safra agrícola brasileira de grãos ainda não tem volume suficiente para ampliar a oferta mundial de alimentos e aliviar pressões de preços

Essa análise é compartilhada pela analista da MB Agro Ana Laura Menegatti. A demanda mundial de grãos, entre os quais estão milho, soja, trigo e outros produtos, é estimada em 2,099 bilhões de toneladas para a safra 2008/2009. "O Brasil, com um acréscimo de 7 milhões de toneladas na produção, de 143 milhões na safra 2007/2008 para 150 milhões de toneladas na próxima safra, não terá capacidade para afetar preços. Esse acréscimo é como se fosse uma gota num copo dágua", compara a analista da MB Agro.

Além disso, ela destaca que a intenção do governo sinalizada no plano de safra de aumentar seus estoques reguladores, de 1,5 milhão de toneladas neste ano para 6 milhões em 2009, na tentativa de segurar preços, pode não surtir efeitos desejados. No caso do feijão, o plano prevê que o preço mínimo para a próxima safra seja de R$ 80 por saca de 60quilos. A cotação é superior aos R$ 48 da safra passada. Ocorre, no entanto, diz Ana Laura, que hoje o a saca do produto vale R$ 200. "Qual agricultor vai querer vender seu produto para o governo por um preço abaixo do de mercado?", questiona a analista.

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