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Cúpula do G20: o mundo tenta evitar os erros da Grande Depressão

César Muñoz Acebes. Washington, 15 nov (EFE).- Os países do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) fizeram hoje um forte apelo para evitar todo tipo de medida protecionista e desta forma não trilhar o mesmo caminho da época da Grande Depressão, na qual a lógica do salve-se quem puder afundou a economia mundial.

EFE |

No comunicado final da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do G20, os participantes se comprometeram a não aumentar os entraves ao comércio e ao investimento nos próximos 12 meses.

Além disso, marcaram o fim do ano como meta para resolver os problemas mais espinhosos das negociações no seio da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Houve declarações similares no passado, mas o contexto da crise as torna agora mais relevantes, porque isto foi justamente o que não aconteceu na última vez que o mundo sofreu uma crise financeira do calibre da atual, quando em outubro de 1929, a Bolsa de Nova York quebrou.

"Em 1933 houve uma reunião e os países não se entenderam. A solução foi o protecionismo e a moral da história é que a crise durou uma década", disse após a cúpula de Washington o ministro da Fazenda Guido Mantega.

Então, a cooperação voltou em 1944 com a conferência de Bretton Woods, na qual foi erguida a atual estrutura financeira pública internacional.

A cúpula do G20 de hoje não foi o Bretton Woods II imaginado pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, pois o desacordo sobre os detalhes, como o nível de regulação dos fundos de risco ou medidas específicas de transparência nos mercados, deixou a declaração final no terreno das generalidades.

No entanto, em certa forma a de Washington foi superior à conferência que aconteceu na pequena localidade de New Hampshire em 1944, porque demonstra o desejo de buscar uma solução comum à crise desde o início.

Nos anos 30, a reação dos Governos diante da crise que surgiu nos Estados Unidos foi desvalorizar suas moedas em uma tentativa de baratear seus produtos e erguer barreiras à entrada de bens estrangeiros.

Esse espírito de confronto e desunião favoreceu a Segunda Guerra Mundial.

"A lição dos anos 30 é que quando os países competem entre eles, há prejuízo para todos", disse à Agência Efe Andrew Cooper, diretor-adjunto do Centro para a Inovação Governamental Internacional, um instituto independente.

O comunicado final da cúpula reafirma a fé no livre comércio e no livre mercado, como pediu o presidente dos EUA, George W. Bush.

No meio de uma crise do calibre da atual, existe uma tentação real de tomar medidas para proteger as próprias indústrias e seus trabalhadores, sem parar para pensar nas conseqüências em nível mundial, opinam analistas.

"Há um medo de que aconteça essa reação e esse medo vem do que ocorreu nos anos 20 e 30", disse Jenilee Guebert, um especialista do Grupo de Análise sobre o G20 da Universidade de Toronto.

O comunicado atribui à falta de coordenação macroeconômica parte da culpa pela atual crise.

Afirma, além disso, que as agências reguladoras devem se assegurar de que suas ações não gerem "impactos adversos potenciais em outros países".

A cooperação nem sempre esteve presente na premência da crise atual. "A lição da Europa não é boa, pois sobressaíram os instintos do interesse nacional, como o caso da Irlanda", explicou Cooper.

A Irlanda aumentou o nível de proteção dos depósitos bancários em seu território de forma unilateral, prejudicando seus países vizinhos, que assistiram a uma saída de depósitos ao não contar com esse grau de garantia.

A União Européia aumentou a proteção de forma coletiva.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) também denunciou que algumas das medidas adotadas pelos países desenvolvidos prejudicaram os mercados emergentes.

Por exemplo, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) tinha facilitado dólares aos bancos centrais dos países ricos para permitir as operações na moeda americana de seus bancos em um contexto de falta de liquidez.

Há duas semanas, o Fed anunciou que estenderia o programa ao Brasil, México e Coréia do Sul.

A ascensão do G20 como o fórum "de tomada de decisões" sobre a crise, em palavras de Amorim, parece uma tentativa de articular uma resposta verdadeiramente coletiva a um problema do qual nenhum país escapa. EFE cma/ma

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