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Cúpula do G20 discutirá princípios e não um novo Bretton Woods

A reunião de cúpula do G20 nesta sexta e sábado em Washington para abordar a crise financeira desperta poucas expectativas entre políticos e analistas, que esperam acordos de princípio e não um novo Bretton Woods, principalmente por causa da ausência no encontro do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama.

AFP |

"Será difícil ver algo significativo e concreto surgir a partir disso", opinou Jerry O'Driscoll, economista do conservador centro de estudos Cato Institute, de Washington.

"Não sei se haverá algo além do simbolismo, o dos líderes do G20 reafirmando seu desejo de trabalhar juntos", acrescentou.

Para O'Driscoll, a ausência do novo presidente americano na reunião é uma das razões pelas quais nada de concreto e substancial sairá do encontro.

Nem Obama nem os futuros membros de sua equipe econômica - ainda não designados - têm previsto participar na reunião do G20, convocada pelo presidente George W. Bush a pedido do presidente francês Nicolás Sarkozy.

"Por isso não há possibilidades de que se forme um movimento fundamental na arquitetura do sistema financeiro internacional", afirma, por sua vez, Claudio Loser, economista do centro de análises Diálogo Interamericano, de Washington.

"Sem os Estados Unidos é muito difícil que se possa falar de um novo Bretton Woods", explicou Loser, aludindo ao encontro que, em 1944, estabeleceu as base do atual sistema financeiro multilateral, dando origem a instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM).

Loser, que descartou qualquer anúncio sobre pacotes de estímulo econômico por parte dos chefes de Estado e de Governo do G20, destacou, no entanto, que "as probabilidades de que sejam estabelecidos certos princípios além da atitude declamatória são bastante altas".

Os Estados Unidos também não esperam resultados contundentes do encontro, apesar de apostar que seja um primeiro passo na direção de acordos globais.

"Não há respostas fáceis porque, até alcançarmos um consenso em uma ampla agenda de reformas, não alcançaremos uma solução", advertiu na quarta-feira o secretário americano do Tesouro, Henry Paulson.

No mesmo sentido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo governo se tornou a voz de algumas nações emergentes dentro do G20, assinalou, em sua visita a Roma, que o encontro de Washington começará a discutir respostas para a crise, mas dificilmente adotará medidas concretas.

"Não há diagnóstico exato para a crise. Não esperem muito do G20, é apenas um começo, ainda que promissor", afirmou Lula.

As nações emergentes exigem principalmente uma reforma dos mecanismos de controle dos mercados financeiros mundiais.

"Há uma divisão muito forte sobre esta exigência das nações emergentes", explicou Loser. "Há um clamor muito forte entre as economias emergentes e os países desenvolvidos pequenos de estabelecer algum critério de seguimento centralizado, seja no Banco Mundial, no FMI ou no Banco Interamericano de Desenvolvimento".

"Mas não me parece que os países grandes estejam totalmente preparados para dizer 'vamos entregar parte de nossa soberania para o bem comum internaiconal'", afirmou ainda.

Paulson confirmou estas diferenças.

"Se só nos ocuparmos de questões regulatórias particulares - por mais críticas que sejam - sem corrigir os desequilíbrios globais que alimentar os excessos reticentes, teremos perdido uma oportunidade de melhorar de forma importante as bases para que os mercados globais e a vitalidade econômica avancem", assinalou.

"Não podemos simplesmente encomendar ao FMI e outras instituições financeiras internacionais a solução dos problemas, a menos que todos os países membros vejam que todos têm um interesse compartilhado numa solução", concluiu.

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