Fios de cabelos restaurados, com mais brilho e maciez. Essas são as promessas de boa parte dos xampus à disposição no mercado, só que os produtos não entregam o que prometem, segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste).

Foram analisadas nove marcas e os resultados foram preocupantes: nenhum xampu restaurou o cabelo. Cinco produtos deixaram os fios ainda mais danificados que antes.

As marcas Colorama, Elsève, Garnier, Ox e Pantene foram as que tiveram o pior desempenho na restauração do cabelo, deixando os fios mais deteriorados. Já Dove, Niely, Palmolive e Seda não mudaram o estado dos fios: não danificaram, mas também não melhoraram nada, ou seja, foram ineficientes.

A Pro Teste usou mechas padronizadas examinadas ao microscópio em três fases: antes do dano, depois de sofrerem uma descoloração e depois de uma série de lavagens com os xampus testados

"A base de todos os xampus é praticamente a mesma. Uma ou outra marca inclui ingredientes diferenciados, mas não dá para acreditar em milagres", alerta Rui Dammenhain, presidente do Instituto Brasileiro de Auditoria em Vigilância Sanitária (Inbravisa).

Os fabricantes contestam o teste realizado. A Palmolive não se manifestou sobre a questão, mas as demais destacam que cumprem as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Niely, por exemplo, explica que seu produto não foi desenvolvido para uso diário e que, se as amostras usadas no teste não forem iguais, as comparações não são reais.

A LOreal, dona das marcas Colorama, Elsève e Garnier Fructis, diz que não recebeu o teste e que seus produtos passam por análises em laboratórios internacionais. O Grupo Bertin Cosméticos, dono da Ox, ressalta que o produto foi testado em institutos credenciados pela Anvisa e que o índice de satisfação foi superior a 85%.

A Ox, considerada boa em brilho e ruim em restauração, diz que o resultado é contraditório, pois um um fio danificado não reflete o brilho. A Unilever, responsável por Dove e Seda, informa que desconhece o teste e que por isso não pode se posicionar sobre os resultados, mas ressalta que faz rigoroso controle de qualidade. A Procter & Gamble, dona da Pantene, diz que se surpreendeu por ter sido avaliada como ruim na restauração.

Em nota, a Anvisa informa que qualquer teste deve ter metodologias cientificamente reconhecidas e validadas para o que se deseja comprovar. Com relação a produtos que informam restaurar os fios, Josineire de Melo Costa, gerente-geral de Cosméticos da Anvisa, explica que as empresas devem seguir o que diz a lei 6.360/76 de regras sanitárias, que determina que o anunciado na publicidade não pode estar em desacordo com as informações no registro do produto.

A estudante de psicologia Geórgia Jácome toma vários cuidados ao comprar xampus. "Leio sempre os rótulos para evitar produtos com sal na composição, pois estragam o cabelo."

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