A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) acredita que o preço do minério de ferro exportado pelo Brasil terá uma queda de 20% este ano. Mesmo assim, será uma queda menor que do minério australiano.

"A melhor aposta para o minério do Brasil é de queda de 20% e para a Austrália, de 30%", disse ontem o diretor executivo financeiro da siderúrgica, Otávio Lazcano. A previsão foi feita durante teleconferência com analistas para detalhar o lucro recorde de R$ 5,7 bilhões registrados pela empresa em 2008.

O bom desempenho da companhia se deve, principalmente, à receita obtida com a venda de uma participação na mineradora Namisa por R$ 4 bilhões. Atualmente, cerca de 20% da receita da CSN vem da venda de minério. A empresa acredita, porém, que a desvalorização cambial vai mais do que compensar uma queda de 20% no preço do minério de ferro.

Em 2008, quando a demanda pelo produto estava aquecida, as concorrentes australianas conseguiram negociar com as siderúrgicas chinesas um aumento maior do que o negociado pela Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, em razão de sua proximidade geográfica com a região, o que garante frete menor. Enquanto a Vale fechou reajuste entre 65% e 71%, as australianas tiveram ganhos acima de 90%. A expectativa do diretor de Mineração da CSN, Jayme Nicolato, é de que as mineradoras brasileiras consigam este ano recuperar a diferença.

A CSN tem planos de investir US$ 3 bilhões na expansão de suas atividades mineradoras até 2012. Os recursos vão viabilizar as expansões de produção na mina de Casa de Pedra, no porto e na subsidiária Namisa. Este ano, a CSN espera ampliar dos atuais 21 milhões de toneladas para 40 milhões de toneladas em julho a capacidade de produção da mina.

Além do lucro recorde de R$ 5,7 bilhões no ano passado, a CSN também registrou um aumento considerável na receita líquida, que passou de R$ 11,4 bilhões em 2007 para R$ 14 bilhões no ano passado.

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