RIO - A crise internacional não alterou o foco de destino para a produção da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), controlada pela alemã ThyssenKrupp, que começa em dezembro a fabricar placas de aço para exportação. De acordo com o vice-presidente de contratos da CSA, Rodrigo Tostes, o objetivo da empresa é vender 60% das placas para os Estados Unidos e 40% para a Europa.

" Seria prematuro anunciar qualquer mudança. Analisamos que seria melhor chegar mais próximo da produção para então decidirmos, de acordo com a situação do mercado, para onde vamos fornecer e para onde não vamos fornecer " , frisou Tostes.

O executivo garantiu que não há planos de colocar parte da produção - que deve atingir o ritmo máximo de 5 milhões de toneladas/ano nove meses depois de fabricada a primeira placa - no Brasil ou na Ásia. Segundo ele, a tecnologia emprega nas placas que serão feitas no Brasil são adequadas para o uso nas siderúrgicas europeias e americanas.

Tostes explicou que nos Estados Unidos as placas fabricadas no Brasil serão destinadas a uma laminadora que está em construção. O executivo explicou que a crise internacional não reduziu o ritmo das obras de construção da unidade americana, uma vez que o escoamento da produção brasileira depende da capacidade da laminadora dos Estados Unidos receber as placas feitas aqui.

Segundo o vice-presidente de contratos, a usina em construção no Brasil é a base para um crescimento de longo prazo estabelecido pela cúpula da empresa alemã.

" Não faria sentido adiar os investimentos aqui. Tínhamos que priorizar o investimento no Brasil em relação a outros lugares do mundo " , acrescentou Tostes.

Ele ressaltou ainda que há a indicação da matriz europeia para renegociação de contratos, com vista a baixar os custos dos projetos em um momento de desaquecimento econômico.

" Logicamente nós temos hoje uma política agressiva de redução de custos. No médio prazo vamos sentar e tentar enxergar oportunidades para redução de custos, mas no momento não há nenhuma renegociação " , destacou.

O investimento necessário para a construção da CSA, entre o bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, e o município de Itaguaí, chega a 4,5 bilhões de euros. O início da produção estava inicialmente previsto para março de 2009, mas o excesso de chuvas durante as obras, a dificuldade de encontrar equipamentos disponíveis no mercado e a necessidade de estacamento acima do planejado contribuíram para o atraso nas obras.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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