Buenos Aires, 20 mar (EFE).- Cronologia das disputas entre o Governo argentino e o setor agropecuário, que hoje anunciou uma nova greve comercial:.

2008:.

-11 de março: Após dois dias de bloqueios aos portos por produtores agropecuários em protesto contra a proibição de exportar trigo, o Governo anuncia um novo esquema de impostos às exportações de grãos, cuja taxa varia em função do mercado internacional.

-13 de março: As quatro grandes entidades agropecuárias iniciam uma greve comercial reforçada com bloqueios de estradas em vários pontos do país.

-25 de março: A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, qualifica o protesto como uma "extorsão".

Em Buenos Aires e nas principais cidades do país são ouvidos os famosos "panelaços" contra o Governo. Setores aliados à Casa Rosada vão à Praça de Maio para impedir as manifestações, e alguns incidentes são registrados.

-27 de março: As principais cidades do país começam a sofrer com o desabastecimento de alimentos básicos. Cristina Fernández pede o início de um diálogo, mas condiciona a negociação ao fim dos bloqueios.

-28 de março: Os bloqueios são suspensos e começa a negociação com o Governo, que fracassa por falta de acordos. Os produtores retomam os piquetes.

-31 de março: o Governo anuncia compensações para pequenos produtores. As organizações agropecuárias reagem com cautela e ratificam a continuação da greve até 2 de abril.

-1º de abril: O Governo se mobiliza em Buenos Aires em respaldo a Cristina. Os produtores agropecuários permitem o trânsito de caminhões com alimentos perecíveis, como lácteos e hortaliças.

-6 de abril: O Governo denuncia à Justiça entidades do campo por "violar as leis de fornecimento e segurança e impedir o normal funcionamento do transporte", após a greve de 21 dias e os protestos do setor.

-11 de abril: Recomeçam as conversas entre o Governo e as patronais agrárias.

-30 de abril: Os produtores e o Governo chegam a um acordo para retomar as exportações de carnes e trigo.

-2 de maio: As patronais agropecuárias retomam os protestos, mas sem bloquear estradas nem retomar a greve comercial, à espera de uma negociação.

-6 de maio: As entidades do campo se reúnem com o Governo e asseguram que o Executivo admitiu que houve erros na aplicação do novo esquema tributário, o que foi desmentido horas mais tarde pelas autoridades.

-7 de maio: As entidades agropecuárias suspendem a comercialização de grãos para a exportação até 15 de maio e protestam pelas estradas do país, mas garantem o abastecimento de alimentos. O protesto seria ampliado depois até o dia 21 de maio.

-23 de maio: Governo e patronais agropecuárias retomam as negociações. A reunião termina com declarações oficiais de otimismo e uma clara inconformidade do campo.

-25 de maio: O setor rural convoca cerca de 300.000 pessoas em Rosário (centro) para reivindicar a derrogação da alta de impostos às exportações de grãos.

-26 de maio: O Governo rompe as negociações pelo "tom opositor" do protesto em Rosário.

-28 de maio: O campo volta a suspender a comercialização de grãos com destino à exportação.

-29 de maio: O Governo anuncia uma correção do esquema de impostos às exportações de grãos, mas as mudanças não satisfazem o setor rural.

-17 de junho: O Governo envia o decreto de alta tributária ao Congresso para discussão.

- 15 de julho: Grandes mobilizações convocadas a favor e contra a política governamental no conflito do campo geram caos em Buenos Aires.

- 17 de julho: O Governo sofre um duro revés após a rejeição do projeto do Senado com o voto do vice-presidente do país, Julio Cobos.

- 18 de julho: O Governo anula a resolução de 11 de março e recupera os juros fixos que regiam desde novembro de 2007.

- 18 de agosto: Os produtores rurais retomam protestos à beira das estradas.

- 3 de outubro: As patronais rurais iniciam uma nova greve comercial em protesto contra o Governo.

- 10 de outubro: O Governo anuncia um fundo de 230 milhões de pesos (US$ 56,2 milhões) para os produtores afetados pela seca, medida que os dirigentes rurais consideram insuficiente.

- 20 de novembro: As patronais rurais reivindicam um "plano de emergência agropecuária".

2009:.

- 14 de janeiro: O Governo abre uma linha de créditos subsidiados para a compra de maquinaria agrícola, entre outras medidas destinadas à "manutenção do emprego e à reativação" do setor agropecuário, afetado por uma grave seca.

- 18 de fevereiro: O setor agrário reprova as "demoras inexplicáveis" do Executivo para iniciar um diálogo. O Governo revela contatos secretos com uma das quatro patronais rurais.

- 19 de fevereiro: O Governo convoca o campo para uma reunião no dia 24 de fevereiro. Os dirigentes agrários aceitam o diálogo, mas convocam uma nova greve comercial de quatro dias.

- 20 de fevereiro: Patronais agrárias iniciam a sexta greve comercial desde a explosão do conflito.

- 24 de fevereiro: Após sete meses sem diálogo, Governo e campo retomam negociações.

- 3 de março: O Governo e as patronais assinam um acordo que estipula melhoras para a produção de lácteos, trigo e carnes de bovino.

- 10 de março: Depois de uma nova rodada de negociações com as autoridades, as patronais lamentam pelos "poucos resultados".

- 17 de março: Em uma nova reunião com o campo, o Governo volta a recusar a possibilidade de reduzir os impostos às exportações de grãos.

- 19 de março: Fracassa no Parlamento a tentativa da oposição de debater um projeto para reduzir os impostos às exportações de grãos.

Os agricultores bloqueiam estradas. O Governo anuncia que compartilhará a arrecadação pelos direitos de exportação de grãos com as províncias.

- 20 de março: Se multiplicam os bloqueios de estradas. As patronais anunciam uma nova greve comercial, até o dia 27, a sétima desde que explodiu o conflito. EFE nk/mh

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.