A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, envia nesta terça-feira ao Parlamento um projeto de lei para eliminar o sistema de previdência privada, ameaçado de quebra. Com isso, a Argentina volta a estatizar todas as aposentadorias, atuais e as futuras, em uma reforma que permitirá ao Estado captar fundos de US$ 30 bilhões, confirmou uma fonte oficial.

A drástica medida do Governo peronista socialdemocrata será adotada como reação à perda acumulada de 20% do dinheiro administrado pelas 10 companhias do setor, em meio à queda dos bônus e ações causada pela crise financeira mundial, ressaltou a fonte que pediu que sua identidade não fosse revelada.

A reforma permitirá ao Governo captar um fluxo anual de cerca de US$ 4,6 bilhões das contrbuições de apenas cerca de US$ 3,6 milhões, dos 9,5 milhões de trabalhadores inscritos nas Administradoras de Fundos de Aposentadorias e Pensão (AFJP, em espanhol).

Os outros 5,9 milhões de contribuintes ativos do sistema criado em 1994, no apogeu de um modelo econômico neoliberal, não cumprem com suas contribuições previdenciárias por evasão por parte das empresas ou pelos considerados autônomos.

As AFJP administram investimentos em pesos equivalentes a cerca de US$ 30 bilhões e recebem anualmente um fluxo de recursos de cerca de US$ 4,6 bilhões anuais, mas o grosso de seus investimentos deve ser conservado, com a maioria das carteiras em bônus do Estado.

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