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São Paulo, 20 mar (EFE).- A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, defendeu hoje as medidas comerciais que adotou para proteger setores industriais do país, e pediu ao Brasil para compreender os problemas estruturais que as motivaram.

Em entrevista conjunta em São Paulo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cristina disse que as medidas se justificam pelo menor desenvolvimento da economia argentina, pelo enorme déficit do país no comércio bilateral e pela necessidade de reestruturar a indústria argentina.

"Com economias de diferente desenvolvimento e uma desvantagem na balança comercial é natural que sejam adotadas medidas para não agravar uma situação que é estrutural", afirmou.

Este ano, a Argentina decidiu impor licenças não automáticas de importação para 200 produtos, o que provocou queixas de setores empresariais brasileiros e até declarações de altos funcionários defendendo um processo perante a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Cristina disse ter viajado para São Paulo para "pedir a compreensão e a cooperação do Brasil" em torno dos problemas argentinos que geraram tanto o déficit comercial do país como o enfraquecimento de alguns setores industriais.

"Mas estou extremamente otimista com que vamos conseguir acordar com o Brasil os instrumentos, as ideias e as políticas que ajudarão a resolver estes problemas que são estruturais e que devem ser acertados sem dramas", assegurou a governante.

A presidente argentina descreveu as licenças não automáticas adotadas por seu Governo como um exercício de defesa que pode ser considerado tão protecionista quanto algumas medidas que ajudam o Brasil a aumentar suas vendas à Argentina.

"Não há uma contradição (em que os dois países adotem medidas protecionistas e rejeitem o protecionismo). Há medidas protecionistas de uma parte e de outra. Umas são mais visíveis que outras", afirmou. EFE cm/db

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