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A presidente Cristina Kirchner deve anunciar hoje uma série de medidas para tentar aumentar a competitividade do setor industrial argentino. O pacote de medidas produziria o efeito para a indústria de uma elevação da cotação da moeda americana dos atuais 3,33 pesos para 4 pesos, mas não se trata de uma desvalorização do peso.

Com as medidas, o governo pretende acalmar os empresários, que ao longo das últimas quatro semanas insistiram na necessidade de desvalorizar a moeda, de forma a obter mais competitividade, especialmente perante uma suposta e iminente "invasão" de produtos Made in Brazil, um clássico dos pesadelos empresariais argentinos.

Segundo informações extra-oficiais, entre as medidas que a presidente Cristina deve anunciar hoje deve constar a elevação da taxa de estatística (tarifa cobrada aos importadores) dos atuais 0,5% para 3%. Essa proporção tornaria mais caros os produtos brasileiros (e também os de outros países) no mercado argentino.

Além disso, a presidente deve anunciar a eliminação de impostos sobre as exportações agroindustriais, que atualmente chegam a 5%. Cristina também deve anunciar os reembolsos dos impostos indiretos dos 6% aos 12%, além de reduções de alguns custos trabalhistas. Estas medidas foram recomendadas ao governo pela União Industrial Argentina (UIA).

Ontem, as lideranças da UIA - perante 700 empresários reunidos - insistiram nos apelos à liberação do câmbio, principalmente depois que o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) anunciou que o crescimento industrial de outubro foi de apenas 2,5%.

Segundo a UIA, o setor industrial, pressionado pela inflação e o esfriamento do mercado interno, só poderá sobreviver à crise com uma desvalorização. A saída encontrada pelo governo, para evitar uma desvalorização convencional (que poderia gerar uma corrida para o dólar e mais inflação) foi a deste pacote de medidas.

O Ministro da Economia, Carlos Fernández, em discurso no evento da UIA, sustentou que a Argentina "não será afetada pela crise internacional, embora não terá um crescimento tão alto como nos últimos anos". Fernández disse que o governo percebeu a contração da produção industrial e do consumo nas grandes economias mundiais, e que por isso, "está preparando medidas".


Ontem, o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) confirmou o pessimismo dos empresários ao anunciar que a indústria somente cresceu 2,5% em outubro em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em relação a setembro a queda foi de 1,9%.

Os argentinos estão de olho no Brasil. Os empresários estão preocupados pelos efeitos da crise internacional no maior sócio do Mercosul. Um relatório da consultoria Ecolatina indica que o desaquecimento da economia brasileira poderia provocar uma queda de US$ 3,3 bilhões nas vendas da Argentina para o Brasil. Isso equivale a 27,5% do superávit comercial previsto pelo governo para 2009, de US$ 12 bilhões.

As estimativas indicam que em 2009, o crescimento das exportações para o Brasil seria de apenas 12%. Neste ano, o crescimento estimado é de 35% em relação a 2007. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.