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Crise/Global: Muda viés da política monetária e papel de emergentes

Andréia Lago, editora da coluna AE Mercado São Paulo, 30 - Setembro trouxe importantes mudanças para o cenário macroeconômico global, após meses de intensa preocupação com a elevada inflação derivada dos choques de commodities e alimentos e com a possibilidade real de recessão no mundo desenvolvido. Além de mudar o viés das políticas monetárias mundo afora, fez aumentarem as dúvidas sobre a resistência das economias emergentes a choques externos, como os decorrentes da crise financeira internacional, e também sobre o papel desses países como motores de crescimento global.

Agência Estado |

O agravamento da crise nas últimas semanas obrigou os presidentes de bancos centrais a colocarem a estabilidade financeira acima de todos os objetivos de suas políticas monetárias. Até então, os BCs vinham se dividindo entre o combate à inflação e os riscos ao crescimento nas economias desenvolvidas. No mundo emergente, o foco estava concentrado na escalada de preços, especialmente na América Latina. Esse viés claramente mudou: a inflação perdeu o posto de prioridade absoluta das autoridades monetárias, e a estabilidade financeira passou à frente até mesmo do esforço para reavivar a atividade econômica.

Sem estabilizar os mercados, problemas de preços elevados e choques de commodities tendem a perder força e a desaparecer em meio à incerteza sobre o futuro da economia. Agora, economias que não vislumbravam a possibilidade de um corte de juros até meados do ano que vem podem ver as taxas caírem antes do fim de 2008, como é o caso da zona do euro. Nos EUA, onde havia perspectiva de elevação dos juros, essas projeções foram empurradas para meados de 2009.

Mesmo nas economias latino-americanas em desenvolvimento, onde a demanda interna aquecida vinha dividindo atenções dos banqueiros centrais com os elevados índices de preços, os ciclos de aperto monetário em curso já começam a perder força, com perspectivas de altas menos intensas de juros nos próximos meses. Os impactos da virada no ciclo de commodities sobre as balanças comerciais desses países e a mudança na trajetória de suas apreciadas moedas e da farta oferta de crédito de que desfrutavam até então deverão produzir mudanças importantes nas economias internas dos emergentes.

Esses impactos, entretanto, passaram a ser monitorados mais de perto por economistas, em busca de sinais de sustentação para a economia global vindos do mundo emergente. Mais do que nunca, as performances econômico-financeiras de economias como Brasil, Rússia, Índia e China enfrentam um momento crucial, para se firmarem como novos e importantes motores do crescimento mundial. Seu desempenho neste e no próximo semestre será vital para definir o novo peso dos emergentes no balanço de riscos da economia global.

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